quarta-feira, 18 de junho de 2014

O JOGO FINAL DA COPA:
Ronaldo mal conseguiu dormir o dia anterior por não ver a hora do jogo que aconteceria depois do almoço, dessa vez os gols não vão ser de tijolos, do Cafú fez duas traves de madeira e no lugar de redes pregou um saco de “cebolas”, e na rua de terra usamos cal pra demarcar o campo, estava impecável, até então nunca jogamos em um campo tão bonito. O nosso uniforme era cada um com uma camisa branca, fizemos o aquecimento na parte da manhã q durou até a hora do almoço, e só não foi até a hora do jogo pq as mães estavam já gritando do portão pra gente ir almoçar.
Enfim chegou a hora do jogo, a “seleção” adversária era a da rua de baixo, inimigos naturais de qualquer rua do mundo, a rua de baixo e a de cima nunca se dão bem, e com a gente não era diferente, eles no alto da arrogância disseram que ganhariam da gente, mesmo jogando em nosso campo, o desafio foi aceito, treinamos uma semana a fio, e agora estávamos ali frente a frente, a tensão no ar, e com uma faísca tudo explodiria, o primeiro atrito foi q eles vieram com o uniforme do colégio que também tinha a camisetas brancas, o problema foi resolvido em comum acordo no par ou impar onde Ronaldo manteve a fama de sempre perder em disputas de dedos, então a “seleção” da casa teve que jogar sem camisas, uma imagem parecida com o navio dos piratas do caribe onde só se viam ossos de tão magricelas eram os garotos, salvo o goleio/zagueiro Taffarel que de tão gordo quase cobria o gol, na verdade era uma espécie de goleiro em que não se podia usar as mãos e como não corria muito ficava ali plantado na defesa.
E então “COMEÇAAAAA O JOGOOO”, sem o apito do juiz pq todos sabemos que em futebol de rua nunca tem juiz, falta é só se sair sangue ou se o grito for muito alto fora isso pode tudo menos por a mão na bola, e por falar em bola ela estava sendo judiada, o jogo era duro, pegado mesmo, coisa de “homem”, que tanto o Taffarel não aguentou o tranco e pediu pra sair depois de levar varias boladas a queima roupa em que sua coxas brancas e sardentas ficaram tão vermelhas que juro quase brilhavam como uma sirene de policia. E como não tínhamos reservas, fomos com um a menos mesmo, o jogo estava 3x3 pra eles, e a rega era vira 2 acaba 4, e com um jogador a menos e perdendo não poderia ficar pior, mas foi quando Ronaldo dribla dois e quando vai chutar acaba topando com uma baita pedra enterrada no chão e com o impacto abre um tampão no dedo que se fosse o Neymar ficaria rolando no chão por uma hora, os adversários depois de verem o sangue já começaram a comemorar pq menos dois jogadores não ia ter jogo e sairiam vitoriosos por W.O. Mas foi em um ato heroico que Ronaldo se levantou mancando sentou na calçada da rua rasgou um pedado de sua camiseta banca e enrolou o dedão, logo a tira de pano branco primeiro ficou vermelho sangue pra em seguida marrom terra, e como já diria um famoso locutor: “Segueeeeeee o jogo!”. O jogo era histórico, uma verdadeira batalha épica, e num ataque do time adversário, Ronaldo toma a bola e parte para o ataque, dribla mais dois e chuta de bico “ E OLHO NO LANCEEE E... ÉÉÉÉÉEÉE MAIS UM GOL BRASILEIROOOOO MEU POVO!”.
Ronaldo vibrava feito louco, os amigos o abraçavam, e ele gritava a todo pulmões: “CHUPA, CHUPA, AKI NESSA PORRA QUEM MANDA SOMOS NÓS!”, e simplesmente como num passe de mágica a mãe de Ronaldo esta de pé na sua frente com a cinta na mão e como um raio gruda na orelha dele e pergunta: “ Com quem vc esta andando pra aprender tantos palavrões? E esse dedo sangrando? Como vc conseguiu rasgar a sua camiseta novinha? Seu pai vai te quebrar de pau, etc...
No Brasil é assim, de herói a vilão num piscar de olhos...

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