segunda-feira, 10 de junho de 2013

FUNERAL:
Estávamos todos muito tristes com a morte de Marcinho, afinal, de todos de nossa turma ele era o único que não tinha treta com ninguém, o cara era engraçado, o mais zueiro, sempre aprontando com todo mundo, catou todas da turma e reza a lenda que até um amigo gay de nossa turma ele catou em uma noite de muitas drogas e bebidas, fato do qual nunca confirmou e nem afirmou, Marcinho adorava ser o centro das atenções e das historias que giravam em torno dele. E hj n o enterro dele não era diferente, ele é o centro de tudo, deitado ali no meio do velório, de terno preto e gravata vermelha, e não é que o pilantra até morto tinha seu charme?!
Stella estava no enterro, com um vestido tipo tubinho preto, óculos escuros um tanto grande para seu rosto, um sobretudo de couro e um batom vermelho q contrastava com sua cara branca e nada apropriando para um enterro. Ela ficou do lado de fora fumando um cigarro e de longe não dava pra saber se a fumaça que saia de sua boca era do frio ou da nicotina. Pelo que sabia ela e Marcinho nunca tiveram um lance, e segundo uma amiga em comum Stella falava que era uma caçadora assim como Marcinho, e ele dando em cima dela ele se tornara uma presa fácil e ela perdera o interesse nele.
Já passava das 23:00h e eu não aguentava mais café preto, e apesar de ter parado de fumar a 6 meses eu serrei um cigarro e sai pra fumar lá fora, eu não tinha fogo e quando pensei em pedir pra alguém Stella branca como um fantasma e ainda de óculos negros estava com a mão estendida e com a chama do isqueiro acesa tão perto da minha cara que deu pra sentir o calor na ponta do meu nariz.
- Obrigado. (Traguei e me engasguei com o cigarro barato, e ela disfarçou um sorriso).
- Acho que ele ficou bonito ali deitado e de preto. (Disse ela)
Ficamos ali conversando por alguns minutos e depois ela me chamou para andar entre os túmulos, achei estranho, mas por mim tudo bem, não tinha medo de mortos e ela comentara q tinha fascinação por cemitérios com suas imagens cruzes e flores mortas, e de dentro de seu eu sobretudo ela tirou uma garrafa whisky de bolso, deu um gole longo e me passou a garrafa, ficamos em silencio por alguns segundos e ela se levantou tirando os óculos do rosto e me encarou, nunca havia percebido de que seus olhos castanhos claros quase verdes eram tão lindos e sem dizer uma palavra ela foi sentando de frente no meu colo e começou a me beijar, e em cima de um mármore gelado transamos intensamente, ela por cima cavalgando intercalando movimentos lentos e outros como se estivesse em um rodeio, e lembro me de um senhor de cabelos brancos passar por nós e resmungar algo como, “ esses moleque de hj em dia...”, e não nos perturbou, talvez seja comum acontecer isso por lá.
Talvez o cemitério, ou as roupas de preto, não sei ao certo o que excitou Stella, e sei que a vi algumas vezes pela rua e ela só me cumprimentar apenas com um balanço de cabeça, mas sei que aguardo ansiosamente a morte de algum amigo em comum para nos encontrarmos novamente em um velório.

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