sexta-feira, 26 de abril de 2013
O "X":
Ah tempos eu já penso assim, pq não privatizar penitenciarias afinal é um ótimo negócio, veja bem um preso custa para o estado cerca de R$2.700,00 ao mês, se fizer uma sela que caibam dois beliches seriam quatro presos que custariam R$ 10.800,00 no mês. No Carandiru na época do massacre havia cerca de 7.300 presos que daria ao mês R$ 19.710.000,00 é tipo um premio da loteria por mês e isso ao ano daria a bagatela de R$236.520.000,00 é melhor que petróleo, drogas ou até investir na Petrobras. Pra melhorar a situação vai ao semiárido do nordeste e constrói em um terreno quase de graça uma penitenciaria em que a cidade mais próxima não seja menos que 100 km de distancia ai qualquer movimentação em direção ao presídio será identificada, os presos com bom comportamento poderiam trabalhar por redução de pena construindo cisternas para o pessoal carente que vive no agreste e quem não quiser pode ficar na sela curtindo o calor infernal e refletindo o valor que é ser livre e nada de regalias como visita intima afinal é uma coisa lógica ou vc iria colocar seu filho de castigo no quarto com internet e um lanche e refri geladinho? A visita dos parentes e advogados não iria existir pq se as empresas já fazem video conferencia pq uma vez na semana colocar os presos pra conversar via Skipe?
Os presídios que ficarem vazios aki nas cidades seriam para os presos do tipo acidente de trânsito, brigas de estádio e pensão dentre outros crimes leves, podiam servir também para menores de 18 anos e POLÍTICOS já que seria impossível levar uma raposa velha para um presidio de segurança máxima...
É lógico que o ideal seria que a empresa fosse de algum grupo estrangeiro até pq gente com dinheiro aki no Brasil é sinal de corrupção. Más é lógico que essa ideia nunca daria certo, com certeza vc já viu uma cadeia no Brasil como é, então dos R$ 2.700,00 talvez só 10% é gasto com cada preso ou o banho frio e a “quentinha” custaria quanto pra chegar a esse valor? E todos nós sabemos pra onde vai o restante da grana desviada e inocente quem acredita que alguém quer acabar com essa mina de ouro, quanto mais presos, mais dinheiro desviado!
JC crucificado
Capitulo 1:
AIRTON SENNA
Tipo assim...
Não me lembro direito, parecia um sonho, ou melhor, um pesadelo, mas sei que acordei com uma puta dor de cabeça e parecendo que minhas mãos estavam rasgando, foi quando abri os olhos, e não é que parecia, e sim, elas estavam rasgando, e vou te dizer uma coisa, era uma dor dos infernos!
Só acordei quando percebi que meu corpo estava se levantando, com as vistas embaçadas percebi que estava no meio do campo de futebol, que fica dentro da favela do suvaco-da-cobra, devia ser madrugada ainda, porque tinha uma camada de serração junto ao chão e eu estava nu, e um frio do cacete, e por falar nisso mesmo tonto e com a visão meio turva dei uma conferida pra ver se meu pinto ainda se encontrava no lugar, suspirei aliviado, uuffaaa!!!
Agora do alto da onde eu estava percebi a gravidade da situação, eu estava sendo crucificado literalmente.
Pensei, F.U.D.E.U., não lembro direito como foi que cheguei a esse ponto.
La do alto dava pra enxergar o autódromo de Interlagos, mas precisamente à curva do laranjinha, e eu não conseguia pensar em outra coisa além da dor insuportável que estava sentindo, e no cara que foi superior a todos nós, que enquanto vivo nos ensinou muito, como ter perseverança não desistir nunca dos nossos sonhos, ele que passou por muitas provações até chegar aonde chegou, era muito difícil de ficar com os olhos abertos e aos poucos fui adormecendo com uma imagem na cabeça, a do Airton Senna tomando um banho de champagne, e aquela musiquinha tam tam tammm tam tam tammm, dai tudo escureceu... http://www.youtube.com/watch?v=jPKutsLwt8U
Capitulo 2: D.DIDA
Cara, minha história é meio confusa, ou melhor, é confusa pra cacete. Vou começar pela minha mãe, D. Dida como todo mundo à chama, até eu a chamo assim, ela é muito respeitada na quebrada, no caso quebrada é como chamamos aqui a favela, pra dizer a verdade D. Dida é considerada no bairro todo, uma porque tem um grande coração ajuda todo mundo, da o que não tem pra ajudar os amigos, desde comida, dinheiro e conselhos, que é seu forte, outra característica dela é comprar briga, isso se achar que é por uma causa justa, outra coisa que a deixa famosa aqui no bairro é porque é minha mãe e isso já é um problema pra ela, porque vivo deixando ela com dor de cabeça...
Bom mais o que a deixa em evidencia é o simples fato que ela não é ela, e sim ELE, isso mesmo que você entendeu, minha mãe a D.Dida é um travesti de aproximadamente uns 50 anos, idade é coisa da qual ela não fala nunca por ser muito vaidosa, outra coisa que ela não fala é sobre o passado, coisa que me deixava meio bolado antigamente, mas hoje já não me preocupo mais porque o importante é que ela me criou, me deu carinho, amor e educação, valores e tals , coisas de mãe mesmo, sabe?!
D.Dida quando jovem era um espetáculo, morena, alta, cabelos cacheados quase até a cintura, de cor negra como uma pantera como diziam, porque ela era uma fera desde nova, ela adorava um baile de fundo de quintal e um pagode no bar do Pedrinho, um risca-faca que existe até hoje, onde rola um churrasquinho de gato que é uma delicia, e sempre nos fins de semana tem um samba de mesa bem animado, mas que sempre termina com briga e às vezes até tiro sai, o que é de menos porque já estamos acostumados com um tirinho aqui outro ali, e fim de semana sim e outro não morre um.
Coisa de periferia mesmo, mas voltando pra D.Dida, diz as histórias aqui na favela que quando criança sempre foi um aluno exemplar, tirava notas altas, quase nunca faltava,seu caderno era o seu orgulho, todo impecável, sem orelhas, rabiscos, e cheios de florzinhas e adesivos de chicletes colados, se não me engano seu nome verdadeiro é Fernando, na época Fernandinho, diz as más línguas que bem nessa época, por já ter um jeito meio afeminado, tipo viadinho mesmo, seu pai catador de papel e ajudante de pedreiro e alcoólatra chegou em casa muito louco de álcool, maconha e farinha, dizem que de tão vermelhos seus olhos parecia que estava com o diabo no corpo, trancou o barraco e estuprou o Fernandinho, e os seus gritos foram ouvidos na favela toda, até que Chicão um conhecido traficante da favela, arrombou a porta com certa facilidade devido aos seus quase dois metros de altura, e com umas das mãos trouxe pra fora pelo pescoço o estrupador e o Fernandinho pela cintura, o Fernandinho foi levado pro posto de saúde aqui do bairro e o fim do pai bêbado foi o merecido, com ferro fere e com ferro será ferido...
Desde então Fernandinho nunca mais foi o mesmo, assumiu seu lado feminino, e abandou a escola, e começou a se prostituir, e com aproximadamente 18 anos foi para a Espanha, e depois de dez anos voltou como Dida, totalmente transformada, o menininho que era bichinha virou um baita de um travesti, com silicone nos seios, bunda e lábios e onde mais dava pra por, irreconhecível, tipo uma dessas dançarinas de programa de auditório, cheia de grana ela ajudou muita gente, quem merecia e quem só tava com ela por causa do dinheiro, até os mais conservadores aproveitavam do dinheiro dela e nem ligava que ela era ele na verdade, muitas festas, churrascos, drogas e prisões depois, foi acabando o dinheiro e Chicão que tinha se tornado seu amante a trocou por uma menina de 16 anos.
Dida já não era tão bonita devido as varias noites seguidas de festas e brigas das quais ganhou cicatrizes, e começou a engordar que no começo não dava pra perceber mas que depois de três meses começou a aumentar abdômen numa velocidade não muito normal, que ela dizia ser devido a cerveja que tomava, em Novembro Dida já não era tão feliz como à conheciam, e no dia primeiro de dezembro já não a viam mais pra fora do seu barraco, e alguns diziam que era depressão. E em 24 para 25 de dezembro enquanto se ouviam os fogos de artifício anunciando a chegada do natal, na casa de Dida se ouvia um choro de criança...
Capitulo 3: J.C.
Não me apresentei né?! É que meu nome é meio ruim de dizer, quer dizer fácil de pronunciar o difícil mesmo é dizer: - “Prazer meu nome é Jesus.” – Pronto, na hora você vê a cara da pessoa, umas disfarçam e outras torcem o nariz, e nem tiro a razão delas, porra esse nome tem um baita peso, mas fazer o que o nome não foi eu quem escolheu, mas meu apelido sim, pode me chamar de JC , explico: - Jesus, porque nasci no dia 25 de Dezembro e meu segundo nome é Francisco em homenagem ao meu “pai” Chicão, que na verdade é Jose Francisco que ficou Chicão, então o meu Jesus Chico, JC, entenderam?!
Então simplificando a história, meu pai é José, eu sou Jesus e minha mãe num é Maria, mais é cheia das graças, há há ha, pra piorar nasci no dia 25 de Dezembro, e minha mãe quem me pariu é um travesti, então pensa na confusão na cabeça de uma criança, mas entre os prós e os contras até que me sai bem, na escola quando criança foi dureza, mas como D.Dinda era muito influente no bairro e ninguém ousava questionar a sua maternidade, que de fato fui muito bem criado, na medida do possível, mas o que aliviou a pressão mesmo foi a tal da “cabeça de nego”, brêu, bob,erva, canabis ou se preferir a tal da maconha, acho que experimentei a primeira vez aos 13 anos, e foi tipo amor a primeira vista, quer dizer na primeira vez foi muito ruim, passei mal e até vomitei, bad-trip mesmo, mas com o tempo foi minha fuga dos problemas, íamos eu e os brothers para o fundos da escola e subíamos no muro e ali ficávamos ali queimando um fininho, aquilo era muito louco porque nos aproximava, ninguém dava uma bola a mais que o outro um péguinha de cada um, ai contávamos historias repetidas ou inventávamos mesmo, fazíamos planos e riamos muito de tudo e de todos, e as vezes até caiamos do muro de tanto rir, e assim cresci, e até quando fiz dezoito anos, comemorados em cima do muro, regado de muito vinho e maconha, estava eu Judas, que na verdade era Rogério mas como andávamos junto apelidarão ele de Judas mas não era do tipo “traira”, era do tipo companheiro mesmo, truta forte como dizemos por aqui, cara gente fina, dava um trampo de moto-boy, em cima de sua c.g.zinha ninguém pegava esse moleque, rasgava São Paulo inteirinha, conhecia cada palmo da metrópole, atalhos e o jeito mais rápido de chegar, bem melhor que muito GPS, e nos fins de semana ainda entregava pizza, que quando eu não estava fazendo nada ia com ele só pra tirar uma onda e comer uns pedaços da redonda no fim da noite, e por volta das 01:00h da manhã a gente ia para as baladas, e com nós dois não tinha tempo ruim, encarávamos de pagode a sertanejos, MPB e rock, o importante era ter musica cerveja e o principal mulheres onde modéstia a parte dávamos sorte, porque pra começar estávamos sempre duros, tinha o da cerveja e do cigarro, o caixa era o Judas mas o administrador da grana era eu, porque quando Judas se empolgava na cachaça era difícil fazer o maluquinho parar, e o combinado era assim se eu não tinha dinheiro ele pagava e na próxima eu pagava, se eu pegar uma mina e ele não ou ela arrumava uma amiga ou saia com os dois ou ninguém ficava com ninguém, mas a gente sempre dava um jeitinho. Uma vez em um bailão sertanejo chegamos quase no final do show, fomos pra pegar a saidera, é quando esta todo mundo indo embora, ai é a hora de chavecar as menininhas que vão embora de buzão pra casa e nós na maior das boas intenções oferecemos a carona, que quase sempre terminaria em algum motel barato, mas nesse dia eu estava com sede e entramos no bar, eu pedi um chopp e Judas foi a caça, e após vinte minutinhos ele me aparece com uma deusa, lembro do nome dela até hoje Suzy, uma Loira oxigenada, cabeleireira, meio coroa, acho que tinha uns quarenta anos, vestida com um jeans de cintura baixa que deixava aparecer umas estrelinhas tatuadas na barriguinha dela, que me aguçava minha imaginação pra saber até onde ia essas estrelas, e de tão apertada a calça que dava a impressão que iria explodir a qualquer momento, Suzy era pernambucana e tinha a pele bronzeada que deixava a marquinhas do biquíni aparecer, o que deixava os marmanjos de plantão loucos, e ela vestia uma blusinha branca quase transparente pra poder provocar mais ainda com aqueles enormes pares de seios onde destacavam –se os bicos do mamilos que dava pra perceber o tom meio rosados, que quando reparei de perto eu até me engasguei com o chopp, ela era puro êxtase, como diz a musica quando dançava e Judas ali atrás dela dançando e fazendo caretas pra mim e gesticulando mostrando como era gostosa aquela mulher, ai eles vieram em minha direção, Judas me apresentou ela, disse prazer e estendi a mão, e ela pegou meu copo de chopp e matou em um gole só e em seguida me deu um beijo desses de língua que quase me matou com falta de ar e disfarçadamente deu um aperto de leve entre minhas pernas e falou no meu ouvido que só estava dando uma conferida no material, dali em diante aconteceu muito rápido, revezando entre um beijo e outro, cervejas, caipirinha e cigarros fomos parar em seu salão de beleza, eu fui de moto e Judas no carro dela um scort conversível amarelo gema, onde ele dirigia porque ela estava muito bêbada para pilotar, eu indo atrás deles quando percebi que ela havia sumido, acelerei a moto até o lado do motorista e vi Judas com cara de quem tinha fumado um fininho e Suzy levantando do seu colo e limpando a boca o canto da com umas das mãos e piscou pra mim mandou um beijinho e disse que eu era o próximo. Já no seu salão ela começou a tirar a roupa e ficando só de calcinha fio-dental vermelha, onde a louca ligou o som do micro system quase no ultimo volume, daí por diante foi como nesses filmes de sexo, primeiro foi eu em cima da cadeira de cortar cabelo, depois foi Judas, eles transaram no lavador de cabelos enquanto eu fui buscar mais cerveja, quando voltei Judas caído no sofá me disse que essa mulher era ninfomaníaca, e eu mal entrei e ela já foi caindo de boca quase não dando para eu colocar as cervejas na mezinha de centro, e quando não estava mais agüentando meu amigo veio me ajudar, e ai sim demos um cansaço nessa dona, mas confesso que nunca mais vi mulher com tanto fogo assim, a não ser nossa amiga Magha, mina firmeza, inteligente, se juntar eu e Judas ela ganha sossegada de nós dois na esperteza , e sua melhor qualidade mesmo era o corpo, gostósissima e bonita, olhos verdes, parecia essas minas que desfilam no carnaval, morena escura, pernas bem grossas, uma bunda bem empinada típica de quem é descendente de negros e os seios fartos e firmes, linda e muito gente boa, perfeita mesmo, diziam que seu único defeito era andar com nós, e pra falar a verdade também acho isso e não entendo o que ela viu na gente, tinha tudo pra descolar um desses playboyzinhos de carro, mas nunca nenhum de nós ficamos, no meu caso eu sou muito inseguro e acho que não teria chance com uma gata dessas e Judas sempre quis dar uns pegas, ainda mais quando ela fica meio alta, mas ela é muito ligeira e não cai nas garras dele, fora o fato de sempre termos erva e nunca aceitarmos que ela pague, porque só a sua presença já é mais do que suficiente, tem ótimas historias de cantadas e namoros e programas, ah ela tinha outro defeito que não era sua culpa, o sócio da bocada do Chicão, o Caçapa, mas dele falo daqui a pouco, antes vou falar um pouco dessa deusa de apenas quinze aninhos que por um desses acasos veio a ser a nossa melhor amiga, nós a conhecemos a menos de seis meses mas parece que já nos conhecíamos a anos, numas dessa sextas-feiras quando faríamos a nossa ultima entrega de pizza para um cliente já conhecido nosso q sempre pedia pizza no finzinho da noite e dava uma boa gorjeta, e nesse caso foi a melhor de todas, eu estava na moto e Judas foi entregar a pizza mas um pouco antes de tocar a campainha a porta da casa se abriu e de la saiu Magha gritando como uma louca calçando um salto em um dos pés e ao mesmo tempo vestindo uma blusa mas tão curta que na hora pensei que ela tinha pegado de alguma criança por engano, ela discutindo com o cliente passou por Judas e pegou a pizza de sua mão e foi jogando pedaços por pedaços no cara, e saiu correndo em minha direção e disse de dou cinqüenta pilas pra me tirar daqui, e eu que vi cair um anjo em minha garupa não pensei duas vezes e acelerei minha moto pra direção que meu nariz mandou, e meu nariz nesse dia me levou para o muro da escola, que era nosso Q.G., quando ela desceu da moto foi logo acendendo um cigarro e tremendo de raiva já foi dizendo que se eu tentasse alguma coisa ela começaria a gritar, o que não duvido porque ela já tava gritando quando falava, ficamos uns minutinhos em silencio e eu disse ta mais calma? E ela sem responder me olhou e deu mais um trago no cigarro, foi quando meu celular tocou e na hora me lembrei de Judas que já ouvi um belo FILHO DA PUTA bem sonoro que até a Magha escutou, tentei explicar mas o cara tava puto da vida e só consegui dizer aonde estava e ele desligou o telefone na minha cara.
Capitulo 4: MAGHA
Foi amor a primeira vista, aquela mina era tudo que jamais vi em nenhuma mulher, que no meu caso não era pouco porque sou tipo o Martinho da Vila, “já tive mulheres de todos os tipos...” Magha era seu apelido, gostava da idéia de ser o mesmo nome de uma bruxa personagem da Disney, seu nome era Magali que por coincidência também era uma personagem de historia em quadrinhos da turma da Monica, nome que acabou herdado de sua mãe que havia herdado de sua avó. Magha parecia que tinha um brilho próprio ou uma aura, quando falava gesticulava como uma louca, seus olhos brilhavam, e tinha um tick de ficar molhando seus lindos lábios carnudos o que me deixava com água na boca de dar-lhe um beijo, ela sempre se vestia com roupas de marca e trocava de celular toda semana, e apesar de ter apenas 15 anos já tinha ficado com tantos homens que já não sabia ao certo com quantos já havia transado, e uma vez perguntei inocentemente se ao menos lembrava com quem perdeu a virgindade, e ao mesmo tempo me arrependi por que foi a primeira vez que a vi chorando e só a vi chorar de novo mais uma vez, mas isso eu conto depois, porque agora queria contar umas das coisas mais loucas que já fiz na vida. Ela sempre tinha grana, e sua bolsa sempre tinha guloseimas, o que sempre vinha a calhar depois de fumarmos nossa ervinha sagrada de toda noite, ai começávamos a falar e rir sem parar, Judas contando suas peripécias nos serviços que fazia, eu nos golpes que aplicava nos playboyzinhos, ou nos “rolos” de compra e trocas de mercadorias de procedências duvidosas, mas histórias boas mesmo eram as da Magha, contava que saia com homens casados em que ela era a ativa, arrgh!, e outras que era paga pra bater nos caras, ou transar com as suas mulheres e outras mais que deixávamos subindo pelas paredes o que a divertia muito, mas comigo tínhamos um lance diferente, ela uma vez combinou comigo que por gostar muito de mim não queria envolver sexo na nossa amizade pois já havia perdido muitos amigos assim, e eu sem escolhas acabei concordando, e com o tempo percebi que tinha razão, porque todos que se envolviam com ela logo se apaixonavam e sofriam muito a ponto de se humilharem pra uma garota que dizia que seu coração havia virado pedra, e eu acabei tendo um amor platônico por ela, mas sempre mantendo uma distancia segura dessa mocinha.
E em uma dessas noites ela me propôs um serviço que a primeira vista era ótimo e ia ganhar duzentos reais numa noite, ela disse assim:
- J.C. o negócio é bom, só vou te por nessa fita porque é meu amigo e confio muito em você, o cliente vai me pagar R$500,00 pra mim ir e levar alguém, dessa grana eu vou alugar um carro e uma roupa bacana pra você, é uma festa particular de gente que tem muita grana onde todos vamos estar de mascaras, vai ser uma festa swing sabe como funciona? Respondi que não, porque no meu mundo isso se chamava orgia. E ela continuou a me explicar o “serviço”:
- Bom já fiz isso antes, e é bem simples, entramos na festa de mascaras, onde vai ter o mestre de cerimônia que vai dizer as regras da festa, dai vamos conversar um pouco, beber algo, e começamos a ficarmos todos nus, mas jamais tiraremos as nossas mascaras, o resto é só transar com o máximo de mulheres que quiser, a única coisa que você não vai poder é vir pro meu lado, por nosso trato e pelo meu cliente que esta fazendo isso pra poder transar comigo e sua esposa sem que ela perceba que sou sua amante, e ai ta dentro ou ta fora?
E eu de boca aberta, pra poder entender tudo o que ela disse, depois de alguns segundos eu disse: - Deixa ver se entendi? Eu vou numa festa que vai ter bebida de graça, vou comer quem eu quiser, com o marido dando seu consentimento, transporte e roupa por sua conta e você vai pagar duzentão? E você me pergunta se eu topo uma fita dessa?!
Ela meio com vergonha e olhando pro chão, disse:
-Então você não vai?
-Se eu vou? Que tipo de homem se acha que eu sou?
- É claro que sim, eu iria até de graça numa festa dessas...
E sem eu esperar ela pulou no meu pescoço e me deu um monte de beijos no rosto e não parava de me agradecer, o que eu não sei, por que eu que devia agradecer.
Pense em alguém de mau humor no dia da festa, Judas não se conformava de não encontrarmos um jeito dele ir, eu estava que não me agüentava de tão eufórico, pra garantir a performance eu tomei uma dose de conhaque selvagem, e uma outra de catuaba, só pra garantir, mas a Magha já brigou comigo porque eu não podia chegar com bafo de pinga, e tive que escovar o dente antes de sairmos, eu estava impecável, mal me reconheci no espelho, bom pra falar a verdade eu estava meio gay, com aquela calça um pouco justa de mais, e um camisa branca com uns detalhes suspeitos, mas se a Magha dizia que eu estava lindo eu acreditava, mas o que me incomodava mesmo era Judas dizendo que virei emo e rindo como um idiota.
Depois de quase umas duas horas Magha terminou de se arrumar, e valeu cada minuto esperado, ela estava com um vestido prata com preto curtíssimo e bem soltinho onde mostrava suas pernas grossas e pelinhos dourados com um decote que nos presenteava com uma bela visão da fartura de saúde que tinha a garota, ela estava maquiada e com um penteado que quando a vi chegando de carro, um sedã vermelho, ela desceu e foi ai que percebi que jamais tinha visto algo mais divino que isso, na mesma hora minhas pernas tremeram, engoli seco, e tentei fazer um elogio, mas a única coisa que sai foi um “-Caralho como se ta gostosa!” e ela me olhou séria e disse que ia levar isso como um elogio e que eu tinha que tentar não falar tanto palavrão. Mas depois que a vi vestida assim me ocorreu que la na festa eu iria ver ela sem roupa inteirinha nua, dali por diante não parava de pensar nisso, o que foi me dando um tezão louco, no caminho meus pensamentos começaram a viajar, só que ao invés de imaginar Magha sem roupa eu a imaginava transando com outro homem, ou outros homens, e sei La foi me dando uma coisa esquisita no estomago, algo que me incomodou, e ela também estava muito calada bem diferente do que quando estávamos antes de entrar no carro, estava muito séria, e pra quebrar o silencio perguntei se tinha algum problema de fumarmos um baseadinho antes pra poder relaxar um pouco, mas já sabendo que diria um não gigante, mas pra minha surpresa ela topou de imediato.
Encostei o carro um pouco antes do local da festa, fumamos em silencio bem rapidinho, e estacionei o carro no quintal de um casarão onde havia vários carros e a maioria era importado, e quem chegava já descia do carro com mascaras tipo as do zorro, e todo mundo na estica, o clima era de festa mesmo todos sorrindo muito, até parecia que tinham fumado também, os seguranças também estavam de mascaras e estavam na porta pegando os convites, quando pegou os nossos ele falou com cara de surpreso:
- Senhora Magali e Senhor JESUS?
- Sim, eu mesmo!
Respondi irritado pra ele, apesar de que entendo seu espanto em ter um Jesus numa festa dessas.
La dentro havia uma musica ambiente se não me engano era Vanessa da Mata, uma mesa gigante com todo tipo de frutas e algum tira gosto, tudo de primeira, eu maravilhado com tudo e todos, mal dava pra disfarçar o meu fascínio e enquanto isso Magha já estava com uma taça de espumante nas mãos e elogiando o vestido de uma das convidadas, logo a sala estava cheia e no meio dela um casal falou um pouco mais alto pedindo a atenção de todos que logo ficamos todos em silencio, e o anfitrião falou:
- Caros amigos, estou muito feliz que estamos novamente nos encontrando, e isso é um ótimo sinal, porque quer dizer que todos gostaram de nossa ultima reunião!
Houve um tremendo burburinho e risadinhas maliciosas.
- E vejo que trouxeram convidados, sejam bem vindos e espero que se comportem.
Falando isso deu uma piscada para todos e ergueu seu drink brindou.
- Desejo que todos se divirtam, vamos brindar ao sucesso de nossa reunião e como de costume cada casal dêem um beijo em seu parceiro e logo após a festa vai dar inicio.
Opa! Isso não estava nos planos, eu olhei rápido para Magha e ela olhou bem fundo nos meus olhos, e nem precisou dizer nada que eu entendi o recado, peguei na cintura dela e com o cuidado de quem vai desarmar uma bomba eu toquei seus lábios.
Capitulo 5: O CÉU
Cara se um dia você for crucificado vai ver que não estou exagerando, aquilo tudo doía muito, e eu não conseguia pensar direito e colocar as idéias em ordem parecia impossível, na hora pensei em rezar para me livrar dessa enrascada, mas logo me lembrei que estava de relações cortadas com Deus, vou explicar. Desde muito jovem eu pensava nisso, eu até fiz primeira comunhão e rezava às vezes, mas Deus nunca foi muito de conversa e nunca se quer atendeu um único pedido meu, e logo eu que era chara de um de seus filhos mais famoso, pensava que teria alguma regalia por conta disso, mas pelo contrario, fui esquecido por ele, e conforme foi passando o tempo já não rezava mais, mas sempre que acontecia algo errado eu o questionava o modo como ele tava levando as coisas, como na vez que os terroristas derrubaram o WTC, vendo aquilo pela tevê ao vivo e um mundaréu de gente morrendo em rede nacional, desliguei a televisão fui pro murro do colégio e acendi meu baseado e depois de dois tragos bem demorados comecei a dizer poucas e boas, mas sempre o tratando com respeito.
- Pois é Senhor, mais uma de suas travessuras! Onde você estava quando aqueles malditos aviões bateram naquelas torres? – Ta certa que ninguém vai muito com a caras dos “gringos”, mas será que não dava pra salvar umas vidas ou vai me dizer que todo mundo lá não prestava?
Alguns minutos de silencio e sem respostas, comecei a falar de novo.
- Sabe? Tem o lance do crack que ta matando a molecada e destruindo as famílias, já to farto de ver as mães que vão aos cultos pedirem ao Senhor para ajudar os seus filhos e nada?!
Silencio...
- Quer saber? Já que você não me responde, também não pergunto mais!
E depois disso nunca mais nos falamos.
De repente eu acordei do meio devaneio com uma musica que já tinha ouvido antes, e tudo começou a ficar claro como um amanhecer azul claro, e quando um homem veio caminhando em minha direção acompanhado de um coral de crianças, todas vestidas de branco e o homem com seus cabelos cacheados e uma rosa vermelha nas mãos cantando “A guerra dos meninos.” - Roberto Carlos?!
- Cara você é Deus?
- Não sou o rei!
- Porra, que diabos você faz aqui? E da pra pedir pros pirralhos pararem de cantar que estou com a cabeça explodindo!
- Quer que eles cantem “Jesus Cristo?”
- Cara será que eu morri e esse é meu castigo? Quem vem mais? Pelé, Xuxa...
Quando de repente sumiu o Roberto Carlos e comecei a ouvir outra musica, era “Jesus chorou” do Racionais Mc’s, pensei, pronto agora vai aparecer o Mano Brow, mas quem apareceu em sua BMW branca com bancos de couro da mesma cor e com neon azul no painel, DVD nos quatro bancos, e o som quando ligado no ultimo volume, que tremeu até o chão, saindo do carro sorrindo com seus seguranças, disse:
- Ora, ora, ora, que coincidência “Jesus” ouvindo “Jesus chorou”. Hahaha, não foi por acaso isso, eu achei apropriado a musica com a situação. Não fomos apresentados ainda, né? – Prazer, me chamo Caçapa, acho que já ouviu falar de mim?!
Capitulo 6: FIM DE FESTA
Aquele beijo me deixou mais extasiado que qualquer baseado, acho que no maximo durou uns trinta segundos, mas que deu tempo pra sarar do efeito maconha,amolecer minhas pernas, arrepiar minha nuca, e esquecer o motivo daquele beijo doce como mel, lábios suaves como veludo e dentes afiados como de um pit-bull.
- Aíííí, que deu em você? Por que me mordeu?
- Você é quem esta louco em aproveitar a situação, meu cliente esta logo ali nos observando, olhe bem ali, de smolking.
Nem precisei procurar muito, o cara deveria ter uns dois metros (exagero meu!), e estava muito bem arrumado e acompanhado de uma loira linda, apesar de estar de mascara dava pra ver de longe seus olhos azuis, e muito bem à vontade com os outros convidados, e quando olhei para o rosto do meu patrocinador vi que ele me olhava fixamente sem piscar os olhos e tive a impressão de já ter visto ele antes.
Mas logo voltei a olhar pra Magha depois de um beliscão que me deu.
- Escuta aqui, é agora que nos despedimos, fique o quanto quiser mas depois pegue o carro e vai embora, e amanhã devolva ele inteiro pra locadora, beijo e se cuida!
Falando isso ela me deu um selinho no rosto e um tapinha na minha bunda e sai dançando no meio dos outros convidados.
Naquele momento fiquei sem ação, nem ao menos pude dizer um tchau, fiquei parado por alguns momentos ainda sentindo o doce sabor de seus lábios e os meus latejando ainda pela mordida que levei.
Só percebi que estava ali parado feito bobo quando começou tocar The Doors - like my fire, e todos deram uns gritinhos e começaram a pular e dançar, alguns mais desinibidos já começaram a tirar as roupas e do nada já tinha uma dona grudada no meu pescoço e com a língua dentro da minha orelha e outra bem em minha frente fazendo um strip, e percebi que estava com problemas, pois depois do beijo que dei na Magha as coisas mudarão em minha cabeça, e minha ferramenta já não estava querendo funcionar direito, talvez pela pressão, ou por ter aquele mundo de gente se beijando e dançando as luzes piscando e eu e Jin Morrison pedindo desesperadamente para que acendam meu fogo! E meus pedidos foram atendidos quando ganhei um beijo de língua daqueles bem molhados e de brinde um compridinho que eu não sei bem o que era mas que desceu goela abaixo com vinho que umas das três mulheres me deram e depois de uns cinco minutinhos depois o mundo ficou cor de rosa, todos estávamos dançando e sorrindo, havia um perfume gostoso no ar e parecia que todos eram bonitos e felizes a musica parecia tocada por uma sinfônica, ah e a “ferramenta” estava a ponto de explodir, e em minha volta estava todo mundo nu, apenas de mascaras e por incrível que pareça eu achava aquilo tudo normal, na verdade parecia uma brincadeira de criança só que pra adultos, lembro-me que alguém teve a idéia de todos os homens ficarem lado à lado e as mulheres iam vindo fazendo um “bola-gato” ou pra quem não conhece o popular boquete em cada um de nós, o que me deixou muito contente, porque acho que não existe homem no mundo que não goste de um buballoo bem feito. Eu estava nas nuvens em uma festa que iria ficar na história, primeiro foi uma loirinha que tinha muita habilidade com a língua, depois foi uma japa que parecia me sugar todas as minhas energias e agora um moreno que tinha uma certa pratica... OPA!!!, eu disse um moreno?
- Que porra é essa? Ôôôôuuuuuu seu FILHO DE UMA PUTA! Pode parar com essa sacanagem aí, o que que a, meu velho, que putaria é essa? “num” se tem mais respeito?.
E não pensei duas vezes e cobri o boióla de porrada, foi aquela confusão, mulherada gritando e um monte de peladão trocando murros, e sem poder me defender fui expulso da festa, com minha calça nas mãos. Como sempre eu acabo estragando tudo, perdi de participar da melhor festa que já pude ir, e pior, a Magha vai me matar!
Capitulo 7: CAÇAPA
-Meu que dor de cabeça dos infernos, acho que nunca tive uma ressaca dessas!
- Cara me conta mais, as minas eram gostosas? Tinha cerveja? E os sons? Ah e o mais importante, se viu a Magha peladinha como veio ao mundo?
Perguntava Judas com aquela cara de lobo do desenho Pica-pau, contei detalhadamente tudo que aconteceu desde que saímos daqui até chegar na festa, omiti o beijo em Magha porque sabia que ele era vidrado nela mesmo ele jurando que não todas as vezes que tocávamos no assunto, contei dos comes e bebes, das musicas, das mulheres que estavam na festa, o que tive que falar mais de uma vez, porque ele queria saber nos mínimos detalhes, comentei do cliente misterioso e de sua mulher maravilhosa e que ele ficou me encarando, fato que Judas ficou me sacaneando dizendo que ele também estava a fim de mim, rolando de rir quase caído do murro, e quando contei o motivo que fui expulso da festa ele não parava mais de rir, onde que ele se engasgou com o cigarro e começou a tossir como um louco, e quando melhorou começou a rir de novo, fato que me aborreceu, e o deixei sozinho rindo e fui dar umas voltas de moto.
Tinha duas coisas que estavam me incomodando da noite passada, uma delas era que me incomodava a vida que Magha levava, como é que pode uma menina de quinze anos levar uma vida dessas, a dez anos atrás as meninas com quinze anos brincavam de boneca, mas uma coisa que era inegável era sua beleza que de quinze não tinha nada e outra coisa era sua personalidade firme como uma rocha, era inegável que essa garota me balançava, mas me preocupava aonde essa vida bandida iria levá-la, só sei que a única certeza que tinha é que iria estar sempre por perto pra protegê-la, bom ai é que mora o perigo por que sempre que estou por perto algo ruim acontece, talvez o melhor seria ficar longe dela pra evitar mais confusões, enquanto pensava eu ia acelerando minha moto pelas ruas de Sampa, mas a outra coisa que me incomodava era o seu cliente em algum lugar, afinal um cara daquele tamanho não é fácil de esquecer, e aquele olhar pra mim na festa era meio ameaçador apesar da distancia senti um arrepio quando me encarou, mas fora o tamanho e o olhar ele não tinha mais nada de familiar a não ser sua enorme boca.
-Claro! Ele era o Caçapa, o sócio do Chicão um cara novo no pedaço que anda virando a cabeça do Chicão nos negócios, que antes era só maconha e farinha, e ele esta trazendo a maldita pedra, que viciou todo mundo por aqui, e ta ganhando muito dinheiro, status e respeito por aqui ou melhor, ta metendo medo em todos, por matar seus inimigos, no caso é bom eu me cuidar ou acabo na sua mira, por causa da Magha, por que pelo jeito ele ta fissurado nela e possa pensar que eu estou atrapalhando, mas o caso é que ela acha ele um babaca, e só ta interessado no dinheiro dele, ou melhor quem acha isso sou eu e espero que ela pense o mesmo.
Seu apelido é devido a sua boca grande como uma caçapa de snooke, e sua fama vem desde criança, quando aterrorizava a molecada roubando bicicletas, tênis, e pipas, etc.
Também sempre fez sucesso com as mulheres, tendo um porte atlético desde jovem o ajudarão a se formar no colegial, graças a suas saídas com as professoras, dizem que ele foi pego com uma professora de inglês no estacionamento da escola fazendo um sexo oral nela pra poder tirar uma boa nota na prova oral, dizem que tirou dez, a nota máxima por sinal, e quando foi pego no banheiro feminino com a professora de educação física, foi direto pra diretoria e depois de quarenta minutos a sós com a diretora e a tal professora, ele voltou para a sala de aula como se nada tivesse acontecido, e depois daquele dia a diretora andava pelos corredores do colégio cantarolando e as vezes ate dançando.
Quando cresceu depois de alguns pequenos delitos, resolveu dar um passo maior em sua careira de contraventor, se uniu a alguns ladrões de banco, e já no primeiro assalto se deu bem porque na fuga ele foi o único que sai vivo, os outros foram baleados e mortos pela policia, e Caçapa fugiu com sua moto para o litoral e só foi reaparecer somente depois de cinco anos. Quando voltou, reapareceu em grande estilo com sua BMW branca, vestido de social e óculos escuros e ouvindo rap no ultimo volume, e saiu dizendo que agora era empresário, e que era verdade, ele investiu o dinheiro do roubo em carros, imóveis, e um caminhão pra frete, mas especificamente usado para roubar cargas, mas de um ano pra cá ele mudou de ramo e parou de roubar para traficar onde o risco era menor e muito mais lucrativo, a policia ganhava uma comissão nas vendas e não incomodava, ele tinha o Chicão como sócio-gerente e a molecada da favela como seus aviõezinhos para distribuir a mercadoria para os clientes, e ele só tinha que cuidar das finanças sem se preocupar em sujar suas mãos. Chicão era um traficante do tipo gente boa, pendurava o papelote pra rapaziada e as vezes até esquecia de cobrar, mas agora com o Caçapa a coisa mudou muito, quem não paga morre, quem usa dentro da favela morre, quem rouba na favela morre, e quem ele não gosta morre, e pra ser sincero estou começando a ficar com medo por mim e pela Magha.
Nesse momento tive que parar a moto e ligar para o Judas.
-Alô, Judas?! Velho, abandona tudo que se ta fazendo e vem me socorrer que a gasolina acabou bem aqui na imigrantes quase chegando em Santos...
E só deu pra ouvir um belo “vai tomar no cú”, e depois de uma hora ele tava lá reclamando muito, mas quando parceiro é parceiro, não falha.
Capitulo 8: LORO JOSÉ
Aquele sorriso era impossível de se confundir, grandes e brancos como umas teclas de piano, apesar de que no começo eu não o reconheci seu rosto, pensei comigo mesmo, “será que eu o tenho adicionado no ORKUT?!” mas como eu estava naquela situação, debilitado pela perda de sangue, e não conseguindo raciocinar direito, só entendi algumas palavras do que ele disse, fora os palavrões que me disse, eu entendi algo a respeito de Magha e do gol de pênalti que marquei, fora isso a musica alta e os faróis do carro em minha cara não me deixava me concentrar, ele entrou no carro e umas das ultimas coisas que me disse foi que já que eu era “Jesus” porque não fazia um milagre e saia da cruz?
Pelo jeito ele não era muito religioso, ou será que ele esqueceu que Jesus morreu na cruz? Mas o que me chamou a minha atenção foi que um urubu que pousou no lado esquerdo da cruz e começou a me olhar fixamente no fundo dos meus olhos e começou a abrir lentamente seu bico, fechei meus olhos e percebi que havia chegado minha hora e se existisse céu mesmo acho que era agora que eu ia descobrir. De repente eu ouso um berro:
- Bommmmm Diiiaaaaa! Acorda menino!!!!!
Abri os olhos e olhei para meu lado e o urubu estava falando comigo!
- Acorda Jesus ta na hora de se arrepender de seus pecados.
- Serio?! Você é tipo um anjo que veio do céu pra me julgar se vou pro céu ou inferno?
- Claro que não! Hahaha, bom,apesar que eu vim voando do céu...
- Mas que porra é essa então? Quem é você?
- Orra não esta me conhecendo? Eu sou o Loro José!
- Mas você é um urubu?!
- Ó! Ta vendo o preconceito, só porque sou um pouquinho escuro, já vai me chamando de urubu, “qualé cumpadi”, sabia que posso te lascar um processo, isso é racismo.
- Cara no maximo você pode ser um Anu, porque pra papagaio você ta longe.
- Ta vendo, a gente vem aqui pra dar um apoio moral, e o que eu recebo? Esse tipo de tratamento preconceituoso de pessoas que se acham melhores que nós afro-decendentes, mas tá bom se quer que eu vá embora, tudo bem eu já to indo mesmo, bem que me disseram que você não é boa companhia, e tem mais eu...
- Opa! Espera ai, desculpe o meu mau jeito, tenta entender a minha situação, mas se puder ficar um pouco, eu estava precisando falar com alguém mesmo.
- Obbaaaaa!!!!!! Então eu fico, mas antes eu vou contar uma piada, que é o que eu sei fazer de melhor.
- Piada? Mas eu estava precisando mesmo é de ajuda pra sair daqui...
- Bom se quiser posso ir embora?
- Claro que não, uma piada seria muito bom pra melhorar meu começo de dia.
Ai o urubu começou a contar a sua piada:
- O ladrão arrombou a casa pensando que ela estava vazia e, quando ia atravessando a sala, ouviu uma voz:
— Jesus te vê.
O ladrão ficou assustado e intrigado, pois não via ninguém. Parou por uns instantes mas logo continuou em direção a um dos quartos. Mal deu um passo, ouviu a mesma voz:
— Jesus te vê.
Olhou em torno mais uma vez e viu um papagaio em cima do poleiro num canto da sala.
— Foi você quem falou que Jesus me vê? — perguntou o ladrão.
— Sim, fui eu mesmo.
Mais aliviado e para descontrair, o ladrão resolveu puxar conversa com o papagaio e perguntou:
— Qual é o seu nome?
— Abidoral.
— Que nome mais idiota para um papagaio! E quem foi o imbecil que lhe deu esse nome?
— Foi o mesmo imbecil que deu o nome de Jesus àquele rotweiller ali — disse o papagaio apontando para um enorme cachorro sentado no outro lado da sala.
E o urubu caiu na gargalhada, me perguntando se entendeu que na piada havia nós dois como personagens.
Nunca pensei que ficar crucificado seria tão torturante assim e pior não dava pra ficar, e perguntei ao “Loro José”:
- Quem foi quem disse pra você que eu não era boa companhia?
- Orra! Quem mais senão a Ana Maria Braga que esta crucificada ao seu lado!
Eu olhei para o lado e não havia ninguém, e o maldito urubu com complexo de papagaio caindo na gargalhada do outro lado.
Capitulo 9: NATONAL GEOGRAPHIC
Bom já que estávamos em santos demos um esticadinha para o Boqueirão, afinal tinha que recompensar, o Judas pela “preza” que fez de vir me socorrer e outra, descer a serra e não comer um espetinho de camarão e dar uma salgada na bunda pra tirar a zica, e Judas como é malandro já veio na intenção e trouxe umas bermudas pro mergulho na praia. Aqui no boqueirão é umas das praias mais legais do litoral sul, nem é tão bonita, mas é o lugar mas parecido com a minha quebrada só que com o mar logo ali de frente, mas de resto é tudo igual, a periferia toda em peso por ali, sempre trombo alguém conhecido por ali, se lá em cima as minas já andam quase peladas aqui é o bicho, todas de fio dental, douradas, e com muita disposição, prontas pro crime. E é nessa onda que eu e Judas vamos surfar, nosso plano é bem simples, sentamos em uma mesinha de algum quiosque que esteja rolando um som, ai pedimos uma cerva trincando de gelada e uma porção que é o motivo principal de estarmos aqui, ai é só tirar a camisa e colocar uma lupa escura e começar a filmar quem vai ser a próxima vitima.
Judas é um expert na matéria de caçar, ele fica a espreita, só observando sua vitima, e ele já localizou seu alvo sinalizando para mim apenas com um balanço de cabeça, eu vi a presa que sempre andam em bandos, todas saltitantes e felizes, estavam em cinco meninas todas com no maximo vinte anos, e Judas nem precisou me dizer qual delas que era porque eu já conhecia seu gosto, ela estava de biquíni amarelo canário que contrastava com seu bronzeado que reluzia com a luz do sol por causa do brilho do protetor solar, ela tinha uma tatuagem estrategicamente localizada nas costas um pouco acima do “cofrinho”, os pelinhos das pernas descoloridos, e um piercing no umbigo que dava reflexos para todos os lados que era impossível de não notar, ela tinha 1,60 m mais ou menos, tamanho ideal para mulher segundo Judas, ele ficou a fitando por alguns momentos até ela notar que ele a olhava e comentou com suas amigas e todas sorriram, aos poucos uma a uma foram dar um mergulho, agora era a hora a presa estava só e desprotegida e agora era a hora de agir Judas se levantou deu uma olhada no rosto pelo reflexo da vitrine de salgados e disse.
- Hora da caça! Me observa e aprende, rsrsrs.
Eu sorri e fiquei só olhando qual seria a abordagem. Ela estendeu sua canga na areia passou seu bronzeador em suas pernas e braços, deu uma conferida no biquíni e se deitou para pegar uma cor e ressaltar mais ainda a marquinha do bronze, e como mágica lá estava ele do lado dela com um copo de raspadinha com pedaços de morango e creme de leite em umas das mãos e na outra um lata de cerveja, da onde eu estava não conseguia ouvir o que eles diziam, mas ela já sorria e ele sentou ao seu lado e em cinco minutos ele já estava espalhando o bronzeador naquele corpinho perfeitinho, ele olhou pra mim e por cima dos óculos me deu uma piscada, e eu pensei comigo mesmo, o predador mais uma vez se capturou sua presa. Mas de repente pensei o que a Magha estaria fazendo agora...
Capitulo 10: DIA DE FUTEBOL
Eu já estava de saco cheio de praia, já não agüentava mais camarão, cerveja, e caipirinha de maracujá. O sol do meio dia já estava fritando meu celebro, e já estava ficando irritando com as amigas da Carol, a mais nova conquista de Judas, falavam sem parar e riam a toa, os dois só no “Love”, e eu não tinha catado ninguém, porque não estava no clima, só pensava em Magha saído com o Caçapa o cara mais escroto que eu conhecia, ele saiu com todas as minas que eu conhecia, elas quando não caiam no seu xaveco, ele as compravam com presentes, festas, drogas ou dinheiro mesmo, que era o caso de Magha, depois que saia com elas ele as maltratava e até batia nelas e era isso que me preocupava.
Meu celular tocou e me acordou dos meus pensamentos, xiii era D.Dida, e ela só liga quando é coisa seria.
- Alô! D.Dida já tava com saudades dos seus telefonemas.
- Jesus meu filho onde é que você esta? O jogo vai começar daqui a pouco e você ainda não deu as caras por aqui, e o Chicão esta uma ferra com você!
Pultz e eu havia me esquecido do futebol que ia rolar no campo da favela contra o time do bairro.
- Dida eu estou aqui pertinho e já chego, fala pro Chicão ir preparando os uniformes...
- E vê se traz o Judas com você, e não se esqueça que o Chicão conta com vocês por que ele apostou muita grana nesse time do sovaco-da-cobra, não vão decepcionar ele.
Pulei de um salto da cadeira do quiosque e fui pagando a conta e falando pro Judas ir se arrumando, e ele também tinha se esquecido, mas não estava com tanta presa quanto eu e não parava de dar bitoquinhas na Carol e trocarão telefones e se bem conheço ele iria perder o telefone da moça bem antes de subirmos a serra.
Batemos nosso record pra subir a Imigrantes da praia em casa em casa em apenas 45 minutos, o que não foi o suficiente porque o jogo já tinha começado, e Chicão nos olhou com uns olhos de reprovação que nos meteu medo, sem pensar duas vezes fomos calçar nossas chuteiras quando aos 10 minutos de jogo sai um gol para os Estrela Azul, nome curioso desse time porque o uniforme era vermelho e branco e sendo assim, teria todos os motivos para se chamar estrela vermelha, mas eles não queriam nenhuma comparação com a estrela do PT, e nesse jogo também havia algo curioso um dos donos do time também estava jogando na saga e pelo tamanho o reconheci de imediato, era Caçapa jogando com a braçadeira de capitão do time de vermelho, e com um zagueiro desse porte tava até medo em qualquer atacante, menos em mim e Judas que éramos uma dupla infalível driblávamos e tabelávamos como ninguém nas redondezas, competíamos entre nós quem daria um olé ou drible mais humilhante nos adversários, e hoje era dia do Caçapa ser humilhado por nós.
Sovaco-da-Cobra x Estrela Azul, era como um jogo do bem contra o mal, e lógico que os mocinhos éramos nós, isso em minha opinião porque o Caçapa também ajudava muita gente por aqui, como dar cestas básicas, segurança para o comércio, e advogados para quem tinha parente preso, as vezes pagava as contas de luz e água de algumas viúvas e doces para as molecadas, já eu vivia arrumando encrenca dando algum golpes e logrando algumas pessoas com minhas mercadorias, mas esse não era o caso, porque era o caçapa quem estava viciando toda a molecada em drogas mais pesadas, e aos poucos estava tomando o controle da favela e colocando Chicão como um mero funcionário dele, e hoje seria minha vingança contra ele, só que minha vingança ia ter que esperar por que o camarão que comi na baixada estava fazendo um “revertério” danado no meu estomago e só deu tempo de falar para o Judas que estava indo no banheiro e já voltava.
E sabe quando por frações de segundo quase não ia dando tempo de baixar as calças e sentir uma cólica monstruosa, e enquanto isso eu ouvia o grito de gol lá fora e pelo jeito não era nosso, 2x0 pra eles e eu trancado aqui nesse banheiro sujo e fedido e para meu desespero total sem papel higiênico também.
Judas deu três batidinhas na porta e disse que já estava entrando no jogo e era pra eu andar rápido porque o bicho estava pegando, e nem deu tempo de eu pedir papel porque ele já tinha sumido.
Acabou o primeiro tempo em 2x1 para o E no jogo Estrela Azul com um gol de pênalti no finalzinho do primeiro tempo em que foi Judas quem marcou.
Quando finalmente sai do banheiro um pouco pálido ainda fui até Chicão pedir pra me por no jogo, ele olhou pra mim e perguntou se tinha certeza? Disse que nunca estive melhor e a essa altura o jogo estava 3x1 pra eles e já eram 15 minutos do segundo tempo, quando entrei em campo Judas me olhou de cima em baixo e depois perguntou. - - Onde esta o outro pé do seu meião?
- No cesto de lixo do banheiro!
- Porque jogou um pé fora?
- Não tinha papel no banheiro!
E a bola estava em jogo de novo, e em menos de 2 minutos de jogo Judas me lançou matei no peito e sem deixar a bola cair meti no ângulo, 3x2 agora o jogo era outro, e na passagem de volta pro meu campo Caçapa me deu uma trombada e disse que na próxima ele ia quebrar minhas pernas. E mal sabia ele que essa era a senha pra mim e Judas começarmos o show, pegávamos a bola e metiamos no meio das pernas, dávamos chapéus, e tudo mais do nosso repertório, e enquanto isso Caçapa estava tentando nos caçar em campo, e isso nos divertia mais ainda, e aos 40 Judas marcou outro agora de voleio, e a virada veio aos 45 minutos do segundo tempo com uma bola enfiada entre os zagueiros e o goleiro veio como um louco pra cima de mim e eu o chapelei como o Falcão do Futsal e antes de chutar pro gol ainda dei um rolinho de carretilha entre as pernas de Caçapa que caiu dentro do gol e com a sola do pé rolei a bola bem de vagarzinho para dentro do gol e antes do juiz terminar o jogo Caçapa veio para cima de mim e começou o empurra-empurra e Chicão e D.Dida me tiraram do meio daquela bagunça, e eu e Judas fomos levados nos ombros até o bar do Pedrinho pra comemorarmos a vitória sem antes ouvir um sermão de D.Dida, Judas comentava cada lance do jogo e sempre que repetia o lance aumentava um pouco mais, e de repente ouvimos um som alto vindo da rua, era Caçapa em sua BMW passando bem de vagar nos encarando, mas o que me incomodou mesmo foi ver que quem estava ao seu lado era Magha.
Capitulo 11: E-MAIL DA MAGHA
Putz quase se passou uma semana e depois da minha mancada na festa não vi mais a Magha a não ser no domingo passado quando passou no carro do Caçapa, mas essa não conta, a semana passou lentamente não vi Caçapa por esses dias mas andava esperto pra não cruzar com ele porque ouvi dizer que ele estava uma fera comigo, e até o muro da escola no final da noite não era a mesma coisa, fumávamos em silencio e conversávamos pouco, sobre futebol, as entregas do Judas, e a falta que Magha estava fazendo, é incrível como a fumaça do back perdia toda graça sem aquela baixinha que sempre tinha algo engraçado pra contar e sua risada nos fazia rir também.
Por volta das 23:00h me despedi de Judas e fui em direção de casa mas tive que mudar os meus planos porque vi o carro de Caçapa em frente da entrada da favela, e era mas prudente dar a volta e entrar pelo fundos da favela, no caminho vi que a lan house ainda estava aberta e resolvi dar uma olhadinha nos meus recados do Orkut e e-mails. Se tem uma coisa que me enche o saco era esses recadinhos com musiquinhas e mensagens “bonitas”, pô se a pessoa não tem o que dizer, diz um “oi como esta?, saudades” ou coisa parecida e não vem com essas frases feitas, porque nem leio já vou excluído tudo, mas o que eu estava procurando era algum recado de Magha mas não havia nenhum dela a não ser um depoimento que já havia deixado a algum tempo cheio de coraçãozinhos e letras de fontes diferentes e cores que eu nunca soube fazer, pensei em fazer um depoimento pra ela mas não estava inspirado e achei melhor não, depois fui ver meu e-mail que já fazia um bom tempo que não abria ele e entre muitos spans, propaganda e vírus eu vi um e-mail dela para mim, nem sei porque mais meu coração começou a bater mais rápido, demorou alguns segundos até abrir o recado mas já deu pra perceber que tinha as cores e letras que ela costumava escrever em seus recados...
“... Toda mulher espera de um homem carinho e companheirismo, ele deve ser divertido nas horas certas e saber ficar em silencio, e só ouvir o que queremos dizer e entender o recado sem precisarmos dizer nada, gostamos de elogios e presentes, na hora do sexo tem que ter pegada e entre umas sacanagens ditas no ouvido também gostamos de palavras românticas e o principal tentar não gozar tão rápido e nos deixar na mão, e com um pouco de paciência conversar um pouco depois.
As vezes abrir a porta do carro ou dar uma flor em um dia qualquer, guardar o bombom mais gostoso da caixa pra nós. Não queremos um príncipe, nos contentamos com um sapo que esteja em forma e que tenha tempo pra assistir um filme romântico.
Eu desisti dos políticos que criam impostos um atrás do outro e a cada seis meses um aumento pra si próprio, de patrões tiranos e machistas, policiais corruptos, padres pedófilos. Cansei de professores que não ensinam, de farol vermelho, e da novela das oito, não acredito em médicos e advogados, cansei de amar e cansei de sofrer, e nesse mar de gente estou me afogando e estou sem coletes salva vidas!”
Fiquei alguns minutos pensando no que li, e depois reli tudo de novo, e disse em voz alta. “– Que porra ela quis dizer com tudo isso?!”
Nessa noite não consegui dormir, e quando dormi sonhei com Hitler fazendo cooper com um poodle e sem calças em plena avenida paulista tão confuso quanto o e-mail de Magha.
Capitulo 12: RAUL?!
Acordei com ânsia de vomito, não sei quanto tempo estava ali, estava com a garganta seca e com o corpo todo latejando, olhei para o lado pra ver se tinha um urubu ao meu lado, bom ao menos não estava mais delirando, quando ouvi alguém assoviando, e olhei para baixo e havia um homem de pé olhando para mim.
Sujeito com uma camisa preta e de jeans surrado cabelos longos e barba grande desgrenhada, um pouco na duvida perguntei em voz baixa.
- Raul Seixas?
- Apesar de ser quem é, si quer reconhece um irmão seu?
- Desculpe-me, mas é que daqui em cima não posso te ver direito. Escuta, estou precisando de ajuda, chame um medico...
- Sabe! Já fui um ótimo torneiro mecânico, tive mulher e dois filhos, eu era feliz na medida do possível, mas daí comecei a beber, no começo pra distrair depois de um dia duro de trabalho, depois pra esqueceras dividas e depois bebia sem motivo mesmo, maldito álcool. E em um certo dia descobri que minha mulher estava me traindo, perdi a cabeça e dei uma surra nela e em meus filhos, e em um dia que voltei do trabalho com uma garrafa de pinga em baixo do braço, estava tão bêbado que não notei que a casa estava vazia e fui notar que havia sido abandonado por minha família que eu sempre amei e dali por diante nunca mais parei de beber, mas sempre pedindo ao “senhor” pra me ajudar a parar de beber, pra devolver minha família e minha vida...
-Senhor um medico, por favor...
- Como ousa pedir ajuda a quem sempre negou ajudar? Rezei pela sua ajuda durante meses, até descobrir que você deve ter seus próprios problemas e não tem tempo para perder com seus irmãos.
E ele saiu cambaleando com sua garrafa e cantarolando...
-... Eu prefiro serrrrr, essa metamorfose ambulante...
E eu lembrei que já havia pagado uma dose pra esse maldito bêbado filho de uma p...!
Capitulo 13: PECADO
“...Quando criança eu e Judas íamos para uma rua que ia dar na represa do Guarapiranga, mas que no final da rua terminava em uma encruzilhada. Era de lei, toda sexta a noite estava la nós dois, meio que escondidos mas nem tanto ficávamos observando do alto da rua fumando um cigarro e esperando acabar o despacho, e quando todos iam embora descíamos a rua e íamos ver o que tinham deixado para o santo, sempre rolava um charuto,cigarro, e com muita sorte umas bebidas que era o que procurávamos, bebíamos tudo e pra sacanear fazíamos xixi na bacia de farinha que deixavam. Durante anos esse foi nosso programa de sexta a noite fumar charuto e beber pinga barata na beira da represa vendo a lua e as luzes da cidade refletidas nas águas poluídas da represa...”
“...Uma prima minha sempre foi muito bonita, desde pequena já tinha seios e bunda grande, era a musa inspiradora da molecada na hora do “cinco contra um” no banheiro, mas um dia eu segui ela e uma amiga que foram para trás do colégio ao invés de entra na aula, acho que elas deveriam ter uns 17 anos na época, e eu queria ver o que as duas estavam fazendo escondidas naquela hora da noite, fui me escondendo por de trás do muro até ter uma visão clara delas, e o que vi ficou marcado em minha memória, e até hoje não consigo esquecer, elas iluminadas pelas luzes que vinham das salas de aula, mas que as clareavam apenas da cintura pra cima, e o que vi parecia algo divino, havia uma aura ao redor delas que as deixavam meio amareladas como em uma fotografia antiga, era como estar tendo uma visão do paraíso, duas ninfetas lindas se beijando ofegantes, entre mordidas nos lábios e as mãos deslizando por de baixo da camiseta do uniforme do colégio elas paravam e se olhavam uma para outra e sem dizer nada começavam de novo aquela cena lasciva que me fazia tremer o corpo inteiro, e a partir desse dia sempre as seguia pra ter só pra mim aquele espetáculo que era só pra mim, mas até que um dia que já não me contentando em só ver quis participar também, e um dia falei para as duas que já sabia de tudo o que estava acontecendo, e disse que estava seguindo-as já algum tempo e se não me deixasse participar eu iria contar para todo mundo, e elas indignadas não me quiseram e eu cumpri minha ameaça e todos no colégio souberam do caso das duas. A amiga, à família trocou de colégio e nunca mais se encontraram e minha prima parou de freqüentar as aulas, um pouco de vergonha e tristeza por sentir muitas saudades da companheira, nunca mais foi a mesma e hoje não é nem sombra daquela gata do passado, agora é viciada em crack, ficou feia e faz um boquete por troca de pedra...”
“... Elaine tinha todas as qualidades que um cara sonha: Carro do ano, dinheiro e uma bunda enorme, que ela fazia questão de mostrar com roupas bem justas, seu único defeito era o marido muito ciumento e com toda razão porque Elaine era do tipo fogosa, dessas que não se satisfaz com pouca coisa. Seu Sergio o marido dono de uma padaria, onde passava a maior parte do tempo trabalhando, quase não tinha tempo para Elaine, e eu como era freguês a tempos da padoca Seu Sergio sempre me pedia pra levar um lanche pra Elaine porque ela não gostava de fazer janta, afinal jantar sozinha não tinha graça, e em uma dessas vezes em que fui levar seu lanche que era caminho para minha casa começamos a conversar no portão de sua casa, e papo vai e papo vem, ela me convidou para entrar, ela uma coroa de no maximo uns 38 anos e com a libido a flor da pele por falta de assistência do marido caiu fácil em minhas cantadas e transamos quase a noite toda e só paramos porque logo depois da meia noite Seu Sergio chegava, e assim foram quase dois meses, eu ia na padaria tomava minha cerveja e depois fazia minha boa ação do dia levando o jantar da digníssima mulher do padeiro.
Mas Sergio não era uma pessoa totalmente feliz por não poder ter filhos, mesmo depois de ter feito vários tratamentos não eficazes, ele acabou se conformando e desistindo da idéia de ter um filho homem pra poder cuidar de seu patrimônio, mas em uma noite quando fui levar o lanche de Elaine ela não estava com uma boa cara e La dentro me contou que estava grávida e depois desse dia nunca mais a vi, e dizem que Seu Sergio quando descobriu a gravidez de Elaine a expulsou pra fora de casa...”
Olhei para o céu com certa dificuldade e falei:
- Bom já confessei alguns dos meus pecados, será que tem como eu morrer logo e terminar com esse castigo?
Mas como sempre não obtive respostas, e já não tinha, mas forças e comecei a chorar
e tentar entender o motivo de tudo isso.
Quando olhei para baixo e notei um rosto conhecido que tentava desesperadamente me tirar dali...
Capitulo 14: O FIM
... Jesus... Jesus... Fale comigo! Socorro, socorro!
Era tudo que eu consegui ouvir, e nas trevas só o que vi foi um rosto de um anjo.
Magha me achou quase morto devido à quantidade de sangue que perdi. Devido aos gritos dela, acordou a favela inteira, e em minutos já tinha a imprensa e jornalistas, e até helicópteros sobrevoando a favela com link ao vivo para filmar “Jesus crucificado”, e já começou neste instante uma corrente de oração em minha volta, e não sei de onde apareceram tantas beatas, Judas estava do lado de D.Dida e Chicão, todos desesperados, e nunca vi tantas viaturas como num balé de luzes, não me lembro direito como me tiraram da cruz, mas sei que fiquei uns cinco dias no hospital, e quando sai dei entrevistas pra televisão, jornais e revistas o que achei até legal, mas o que me incomodava mesmo eram as romarias em frente da minha casa todos os dias aquele monte de velas acesas e gente me pedindo milagres. Mas se soubesse fazer milagres traria Magha, quando penso nela me da um vazio enorme por dentro, Judas me disse que ela fugiu com Caçapa e nunca mais deu noticias e agora virou história que eu e Judas contamos quando estamos no muro da escola lembrando dos seus trejeitos e seu sorriso meio que engasgado. D.Dida voltou com Chicão, mas acho que nunca se separaram de verdade, mas não tenho coragem de chamar ele de pai mas é um grande amigo, e Judas continua sendo parceiro pra tudo, como irmão mesmo, continuamos a sairmos juntos dividindo a conta, o cigarro e as mulheres. E eu agora além de ter nascido em vinte e cinco de dezembro, me chamar Jesus ter um pai Francisco agora tenho marcas de pregos nas mãos e nos pés, mas o que mudou agora é que fiz as pazes com ele lá de cima e não tem um dia que não conversamos, a diferença agora é que agora ele me responde.
Tipo assim...
Não me lembro direito, parecia um sonho, ou melhor, um pesadelo, mas sei que acordei com uma puta dor de cabeça e parecendo que minhas mãos estavam rasgando, foi quando abri os olhos, e não é que parecia, e sim, elas estavam rasgando, e vou te dizer uma coisa, era uma dor dos infernos!
Só acordei quando percebi que meu corpo estava se levantando, com as vistas embaçadas percebi que estava no meio do campo de futebol, que fica dentro da favela do suvaco-da-cobra, devia ser madrugada ainda, porque tinha uma camada de serração junto ao chão e eu estava nu, e um frio do cacete, e por falar nisso mesmo tonto e com a visão meio turva dei uma conferida pra ver se meu pinto ainda se encontrava no lugar, suspirei aliviado, uuffaaa!!!
Agora do alto da onde eu estava percebi a gravidade da situação, eu estava sendo crucificado literalmente.
Pensei, F.U.D.E.U., não lembro direito como foi que cheguei a esse ponto.
La do alto dava pra enxergar o autódromo de Interlagos, mas precisamente à curva do laranjinha, e eu não conseguia pensar em outra coisa além da dor insuportável que estava sentindo, e no cara que foi superior a todos nós, que enquanto vivo nos ensinou muito, como ter perseverança não desistir nunca dos nossos sonhos, ele que passou por muitas provações até chegar aonde chegou, era muito difícil de ficar com os olhos abertos e aos poucos fui adormecendo com uma imagem na cabeça, a do Airton Senna tomando um banho de champagne, e aquela musiquinha tam tam tammm tam tam tammm, dai tudo escureceu... http://www.youtube.com/watch?v=jPKutsLwt8U
Capitulo 2: D.DIDA
Cara, minha história é meio confusa, ou melhor, é confusa pra cacete. Vou começar pela minha mãe, D. Dida como todo mundo à chama, até eu a chamo assim, ela é muito respeitada na quebrada, no caso quebrada é como chamamos aqui a favela, pra dizer a verdade D. Dida é considerada no bairro todo, uma porque tem um grande coração ajuda todo mundo, da o que não tem pra ajudar os amigos, desde comida, dinheiro e conselhos, que é seu forte, outra característica dela é comprar briga, isso se achar que é por uma causa justa, outra coisa que a deixa famosa aqui no bairro é porque é minha mãe e isso já é um problema pra ela, porque vivo deixando ela com dor de cabeça...
Bom mais o que a deixa em evidencia é o simples fato que ela não é ela, e sim ELE, isso mesmo que você entendeu, minha mãe a D.Dida é um travesti de aproximadamente uns 50 anos, idade é coisa da qual ela não fala nunca por ser muito vaidosa, outra coisa que ela não fala é sobre o passado, coisa que me deixava meio bolado antigamente, mas hoje já não me preocupo mais porque o importante é que ela me criou, me deu carinho, amor e educação, valores e tals , coisas de mãe mesmo, sabe?!
D.Dida quando jovem era um espetáculo, morena, alta, cabelos cacheados quase até a cintura, de cor negra como uma pantera como diziam, porque ela era uma fera desde nova, ela adorava um baile de fundo de quintal e um pagode no bar do Pedrinho, um risca-faca que existe até hoje, onde rola um churrasquinho de gato que é uma delicia, e sempre nos fins de semana tem um samba de mesa bem animado, mas que sempre termina com briga e às vezes até tiro sai, o que é de menos porque já estamos acostumados com um tirinho aqui outro ali, e fim de semana sim e outro não morre um.
Coisa de periferia mesmo, mas voltando pra D.Dida, diz as histórias aqui na favela que quando criança sempre foi um aluno exemplar, tirava notas altas, quase nunca faltava,seu caderno era o seu orgulho, todo impecável, sem orelhas, rabiscos, e cheios de florzinhas e adesivos de chicletes colados, se não me engano seu nome verdadeiro é Fernando, na época Fernandinho, diz as más línguas que bem nessa época, por já ter um jeito meio afeminado, tipo viadinho mesmo, seu pai catador de papel e ajudante de pedreiro e alcoólatra chegou em casa muito louco de álcool, maconha e farinha, dizem que de tão vermelhos seus olhos parecia que estava com o diabo no corpo, trancou o barraco e estuprou o Fernandinho, e os seus gritos foram ouvidos na favela toda, até que Chicão um conhecido traficante da favela, arrombou a porta com certa facilidade devido aos seus quase dois metros de altura, e com umas das mãos trouxe pra fora pelo pescoço o estrupador e o Fernandinho pela cintura, o Fernandinho foi levado pro posto de saúde aqui do bairro e o fim do pai bêbado foi o merecido, com ferro fere e com ferro será ferido...
Desde então Fernandinho nunca mais foi o mesmo, assumiu seu lado feminino, e abandou a escola, e começou a se prostituir, e com aproximadamente 18 anos foi para a Espanha, e depois de dez anos voltou como Dida, totalmente transformada, o menininho que era bichinha virou um baita de um travesti, com silicone nos seios, bunda e lábios e onde mais dava pra por, irreconhecível, tipo uma dessas dançarinas de programa de auditório, cheia de grana ela ajudou muita gente, quem merecia e quem só tava com ela por causa do dinheiro, até os mais conservadores aproveitavam do dinheiro dela e nem ligava que ela era ele na verdade, muitas festas, churrascos, drogas e prisões depois, foi acabando o dinheiro e Chicão que tinha se tornado seu amante a trocou por uma menina de 16 anos.
Dida já não era tão bonita devido as varias noites seguidas de festas e brigas das quais ganhou cicatrizes, e começou a engordar que no começo não dava pra perceber mas que depois de três meses começou a aumentar abdômen numa velocidade não muito normal, que ela dizia ser devido a cerveja que tomava, em Novembro Dida já não era tão feliz como à conheciam, e no dia primeiro de dezembro já não a viam mais pra fora do seu barraco, e alguns diziam que era depressão. E em 24 para 25 de dezembro enquanto se ouviam os fogos de artifício anunciando a chegada do natal, na casa de Dida se ouvia um choro de criança...
Capitulo 3: J.C.
Não me apresentei né?! É que meu nome é meio ruim de dizer, quer dizer fácil de pronunciar o difícil mesmo é dizer: - “Prazer meu nome é Jesus.” – Pronto, na hora você vê a cara da pessoa, umas disfarçam e outras torcem o nariz, e nem tiro a razão delas, porra esse nome tem um baita peso, mas fazer o que o nome não foi eu quem escolheu, mas meu apelido sim, pode me chamar de JC , explico: - Jesus, porque nasci no dia 25 de Dezembro e meu segundo nome é Francisco em homenagem ao meu “pai” Chicão, que na verdade é Jose Francisco que ficou Chicão, então o meu Jesus Chico, JC, entenderam?!
Então simplificando a história, meu pai é José, eu sou Jesus e minha mãe num é Maria, mais é cheia das graças, há há ha, pra piorar nasci no dia 25 de Dezembro, e minha mãe quem me pariu é um travesti, então pensa na confusão na cabeça de uma criança, mas entre os prós e os contras até que me sai bem, na escola quando criança foi dureza, mas como D.Dinda era muito influente no bairro e ninguém ousava questionar a sua maternidade, que de fato fui muito bem criado, na medida do possível, mas o que aliviou a pressão mesmo foi a tal da “cabeça de nego”, brêu, bob,erva, canabis ou se preferir a tal da maconha, acho que experimentei a primeira vez aos 13 anos, e foi tipo amor a primeira vista, quer dizer na primeira vez foi muito ruim, passei mal e até vomitei, bad-trip mesmo, mas com o tempo foi minha fuga dos problemas, íamos eu e os brothers para o fundos da escola e subíamos no muro e ali ficávamos ali queimando um fininho, aquilo era muito louco porque nos aproximava, ninguém dava uma bola a mais que o outro um péguinha de cada um, ai contávamos historias repetidas ou inventávamos mesmo, fazíamos planos e riamos muito de tudo e de todos, e as vezes até caiamos do muro de tanto rir, e assim cresci, e até quando fiz dezoito anos, comemorados em cima do muro, regado de muito vinho e maconha, estava eu Judas, que na verdade era Rogério mas como andávamos junto apelidarão ele de Judas mas não era do tipo “traira”, era do tipo companheiro mesmo, truta forte como dizemos por aqui, cara gente fina, dava um trampo de moto-boy, em cima de sua c.g.zinha ninguém pegava esse moleque, rasgava São Paulo inteirinha, conhecia cada palmo da metrópole, atalhos e o jeito mais rápido de chegar, bem melhor que muito GPS, e nos fins de semana ainda entregava pizza, que quando eu não estava fazendo nada ia com ele só pra tirar uma onda e comer uns pedaços da redonda no fim da noite, e por volta das 01:00h da manhã a gente ia para as baladas, e com nós dois não tinha tempo ruim, encarávamos de pagode a sertanejos, MPB e rock, o importante era ter musica cerveja e o principal mulheres onde modéstia a parte dávamos sorte, porque pra começar estávamos sempre duros, tinha o da cerveja e do cigarro, o caixa era o Judas mas o administrador da grana era eu, porque quando Judas se empolgava na cachaça era difícil fazer o maluquinho parar, e o combinado era assim se eu não tinha dinheiro ele pagava e na próxima eu pagava, se eu pegar uma mina e ele não ou ela arrumava uma amiga ou saia com os dois ou ninguém ficava com ninguém, mas a gente sempre dava um jeitinho. Uma vez em um bailão sertanejo chegamos quase no final do show, fomos pra pegar a saidera, é quando esta todo mundo indo embora, ai é a hora de chavecar as menininhas que vão embora de buzão pra casa e nós na maior das boas intenções oferecemos a carona, que quase sempre terminaria em algum motel barato, mas nesse dia eu estava com sede e entramos no bar, eu pedi um chopp e Judas foi a caça, e após vinte minutinhos ele me aparece com uma deusa, lembro do nome dela até hoje Suzy, uma Loira oxigenada, cabeleireira, meio coroa, acho que tinha uns quarenta anos, vestida com um jeans de cintura baixa que deixava aparecer umas estrelinhas tatuadas na barriguinha dela, que me aguçava minha imaginação pra saber até onde ia essas estrelas, e de tão apertada a calça que dava a impressão que iria explodir a qualquer momento, Suzy era pernambucana e tinha a pele bronzeada que deixava a marquinhas do biquíni aparecer, o que deixava os marmanjos de plantão loucos, e ela vestia uma blusinha branca quase transparente pra poder provocar mais ainda com aqueles enormes pares de seios onde destacavam –se os bicos do mamilos que dava pra perceber o tom meio rosados, que quando reparei de perto eu até me engasguei com o chopp, ela era puro êxtase, como diz a musica quando dançava e Judas ali atrás dela dançando e fazendo caretas pra mim e gesticulando mostrando como era gostosa aquela mulher, ai eles vieram em minha direção, Judas me apresentou ela, disse prazer e estendi a mão, e ela pegou meu copo de chopp e matou em um gole só e em seguida me deu um beijo desses de língua que quase me matou com falta de ar e disfarçadamente deu um aperto de leve entre minhas pernas e falou no meu ouvido que só estava dando uma conferida no material, dali em diante aconteceu muito rápido, revezando entre um beijo e outro, cervejas, caipirinha e cigarros fomos parar em seu salão de beleza, eu fui de moto e Judas no carro dela um scort conversível amarelo gema, onde ele dirigia porque ela estava muito bêbada para pilotar, eu indo atrás deles quando percebi que ela havia sumido, acelerei a moto até o lado do motorista e vi Judas com cara de quem tinha fumado um fininho e Suzy levantando do seu colo e limpando a boca o canto da com umas das mãos e piscou pra mim mandou um beijinho e disse que eu era o próximo. Já no seu salão ela começou a tirar a roupa e ficando só de calcinha fio-dental vermelha, onde a louca ligou o som do micro system quase no ultimo volume, daí por diante foi como nesses filmes de sexo, primeiro foi eu em cima da cadeira de cortar cabelo, depois foi Judas, eles transaram no lavador de cabelos enquanto eu fui buscar mais cerveja, quando voltei Judas caído no sofá me disse que essa mulher era ninfomaníaca, e eu mal entrei e ela já foi caindo de boca quase não dando para eu colocar as cervejas na mezinha de centro, e quando não estava mais agüentando meu amigo veio me ajudar, e ai sim demos um cansaço nessa dona, mas confesso que nunca mais vi mulher com tanto fogo assim, a não ser nossa amiga Magha, mina firmeza, inteligente, se juntar eu e Judas ela ganha sossegada de nós dois na esperteza , e sua melhor qualidade mesmo era o corpo, gostósissima e bonita, olhos verdes, parecia essas minas que desfilam no carnaval, morena escura, pernas bem grossas, uma bunda bem empinada típica de quem é descendente de negros e os seios fartos e firmes, linda e muito gente boa, perfeita mesmo, diziam que seu único defeito era andar com nós, e pra falar a verdade também acho isso e não entendo o que ela viu na gente, tinha tudo pra descolar um desses playboyzinhos de carro, mas nunca nenhum de nós ficamos, no meu caso eu sou muito inseguro e acho que não teria chance com uma gata dessas e Judas sempre quis dar uns pegas, ainda mais quando ela fica meio alta, mas ela é muito ligeira e não cai nas garras dele, fora o fato de sempre termos erva e nunca aceitarmos que ela pague, porque só a sua presença já é mais do que suficiente, tem ótimas historias de cantadas e namoros e programas, ah ela tinha outro defeito que não era sua culpa, o sócio da bocada do Chicão, o Caçapa, mas dele falo daqui a pouco, antes vou falar um pouco dessa deusa de apenas quinze aninhos que por um desses acasos veio a ser a nossa melhor amiga, nós a conhecemos a menos de seis meses mas parece que já nos conhecíamos a anos, numas dessa sextas-feiras quando faríamos a nossa ultima entrega de pizza para um cliente já conhecido nosso q sempre pedia pizza no finzinho da noite e dava uma boa gorjeta, e nesse caso foi a melhor de todas, eu estava na moto e Judas foi entregar a pizza mas um pouco antes de tocar a campainha a porta da casa se abriu e de la saiu Magha gritando como uma louca calçando um salto em um dos pés e ao mesmo tempo vestindo uma blusa mas tão curta que na hora pensei que ela tinha pegado de alguma criança por engano, ela discutindo com o cliente passou por Judas e pegou a pizza de sua mão e foi jogando pedaços por pedaços no cara, e saiu correndo em minha direção e disse de dou cinqüenta pilas pra me tirar daqui, e eu que vi cair um anjo em minha garupa não pensei duas vezes e acelerei minha moto pra direção que meu nariz mandou, e meu nariz nesse dia me levou para o muro da escola, que era nosso Q.G., quando ela desceu da moto foi logo acendendo um cigarro e tremendo de raiva já foi dizendo que se eu tentasse alguma coisa ela começaria a gritar, o que não duvido porque ela já tava gritando quando falava, ficamos uns minutinhos em silencio e eu disse ta mais calma? E ela sem responder me olhou e deu mais um trago no cigarro, foi quando meu celular tocou e na hora me lembrei de Judas que já ouvi um belo FILHO DA PUTA bem sonoro que até a Magha escutou, tentei explicar mas o cara tava puto da vida e só consegui dizer aonde estava e ele desligou o telefone na minha cara.
Capitulo 4: MAGHA
Foi amor a primeira vista, aquela mina era tudo que jamais vi em nenhuma mulher, que no meu caso não era pouco porque sou tipo o Martinho da Vila, “já tive mulheres de todos os tipos...” Magha era seu apelido, gostava da idéia de ser o mesmo nome de uma bruxa personagem da Disney, seu nome era Magali que por coincidência também era uma personagem de historia em quadrinhos da turma da Monica, nome que acabou herdado de sua mãe que havia herdado de sua avó. Magha parecia que tinha um brilho próprio ou uma aura, quando falava gesticulava como uma louca, seus olhos brilhavam, e tinha um tick de ficar molhando seus lindos lábios carnudos o que me deixava com água na boca de dar-lhe um beijo, ela sempre se vestia com roupas de marca e trocava de celular toda semana, e apesar de ter apenas 15 anos já tinha ficado com tantos homens que já não sabia ao certo com quantos já havia transado, e uma vez perguntei inocentemente se ao menos lembrava com quem perdeu a virgindade, e ao mesmo tempo me arrependi por que foi a primeira vez que a vi chorando e só a vi chorar de novo mais uma vez, mas isso eu conto depois, porque agora queria contar umas das coisas mais loucas que já fiz na vida. Ela sempre tinha grana, e sua bolsa sempre tinha guloseimas, o que sempre vinha a calhar depois de fumarmos nossa ervinha sagrada de toda noite, ai começávamos a falar e rir sem parar, Judas contando suas peripécias nos serviços que fazia, eu nos golpes que aplicava nos playboyzinhos, ou nos “rolos” de compra e trocas de mercadorias de procedências duvidosas, mas histórias boas mesmo eram as da Magha, contava que saia com homens casados em que ela era a ativa, arrgh!, e outras que era paga pra bater nos caras, ou transar com as suas mulheres e outras mais que deixávamos subindo pelas paredes o que a divertia muito, mas comigo tínhamos um lance diferente, ela uma vez combinou comigo que por gostar muito de mim não queria envolver sexo na nossa amizade pois já havia perdido muitos amigos assim, e eu sem escolhas acabei concordando, e com o tempo percebi que tinha razão, porque todos que se envolviam com ela logo se apaixonavam e sofriam muito a ponto de se humilharem pra uma garota que dizia que seu coração havia virado pedra, e eu acabei tendo um amor platônico por ela, mas sempre mantendo uma distancia segura dessa mocinha.
E em uma dessas noites ela me propôs um serviço que a primeira vista era ótimo e ia ganhar duzentos reais numa noite, ela disse assim:
- J.C. o negócio é bom, só vou te por nessa fita porque é meu amigo e confio muito em você, o cliente vai me pagar R$500,00 pra mim ir e levar alguém, dessa grana eu vou alugar um carro e uma roupa bacana pra você, é uma festa particular de gente que tem muita grana onde todos vamos estar de mascaras, vai ser uma festa swing sabe como funciona? Respondi que não, porque no meu mundo isso se chamava orgia. E ela continuou a me explicar o “serviço”:
- Bom já fiz isso antes, e é bem simples, entramos na festa de mascaras, onde vai ter o mestre de cerimônia que vai dizer as regras da festa, dai vamos conversar um pouco, beber algo, e começamos a ficarmos todos nus, mas jamais tiraremos as nossas mascaras, o resto é só transar com o máximo de mulheres que quiser, a única coisa que você não vai poder é vir pro meu lado, por nosso trato e pelo meu cliente que esta fazendo isso pra poder transar comigo e sua esposa sem que ela perceba que sou sua amante, e ai ta dentro ou ta fora?
E eu de boca aberta, pra poder entender tudo o que ela disse, depois de alguns segundos eu disse: - Deixa ver se entendi? Eu vou numa festa que vai ter bebida de graça, vou comer quem eu quiser, com o marido dando seu consentimento, transporte e roupa por sua conta e você vai pagar duzentão? E você me pergunta se eu topo uma fita dessa?!
Ela meio com vergonha e olhando pro chão, disse:
-Então você não vai?
-Se eu vou? Que tipo de homem se acha que eu sou?
- É claro que sim, eu iria até de graça numa festa dessas...
E sem eu esperar ela pulou no meu pescoço e me deu um monte de beijos no rosto e não parava de me agradecer, o que eu não sei, por que eu que devia agradecer.
Pense em alguém de mau humor no dia da festa, Judas não se conformava de não encontrarmos um jeito dele ir, eu estava que não me agüentava de tão eufórico, pra garantir a performance eu tomei uma dose de conhaque selvagem, e uma outra de catuaba, só pra garantir, mas a Magha já brigou comigo porque eu não podia chegar com bafo de pinga, e tive que escovar o dente antes de sairmos, eu estava impecável, mal me reconheci no espelho, bom pra falar a verdade eu estava meio gay, com aquela calça um pouco justa de mais, e um camisa branca com uns detalhes suspeitos, mas se a Magha dizia que eu estava lindo eu acreditava, mas o que me incomodava mesmo era Judas dizendo que virei emo e rindo como um idiota.
Depois de quase umas duas horas Magha terminou de se arrumar, e valeu cada minuto esperado, ela estava com um vestido prata com preto curtíssimo e bem soltinho onde mostrava suas pernas grossas e pelinhos dourados com um decote que nos presenteava com uma bela visão da fartura de saúde que tinha a garota, ela estava maquiada e com um penteado que quando a vi chegando de carro, um sedã vermelho, ela desceu e foi ai que percebi que jamais tinha visto algo mais divino que isso, na mesma hora minhas pernas tremeram, engoli seco, e tentei fazer um elogio, mas a única coisa que sai foi um “-Caralho como se ta gostosa!” e ela me olhou séria e disse que ia levar isso como um elogio e que eu tinha que tentar não falar tanto palavrão. Mas depois que a vi vestida assim me ocorreu que la na festa eu iria ver ela sem roupa inteirinha nua, dali por diante não parava de pensar nisso, o que foi me dando um tezão louco, no caminho meus pensamentos começaram a viajar, só que ao invés de imaginar Magha sem roupa eu a imaginava transando com outro homem, ou outros homens, e sei La foi me dando uma coisa esquisita no estomago, algo que me incomodou, e ela também estava muito calada bem diferente do que quando estávamos antes de entrar no carro, estava muito séria, e pra quebrar o silencio perguntei se tinha algum problema de fumarmos um baseadinho antes pra poder relaxar um pouco, mas já sabendo que diria um não gigante, mas pra minha surpresa ela topou de imediato.
Encostei o carro um pouco antes do local da festa, fumamos em silencio bem rapidinho, e estacionei o carro no quintal de um casarão onde havia vários carros e a maioria era importado, e quem chegava já descia do carro com mascaras tipo as do zorro, e todo mundo na estica, o clima era de festa mesmo todos sorrindo muito, até parecia que tinham fumado também, os seguranças também estavam de mascaras e estavam na porta pegando os convites, quando pegou os nossos ele falou com cara de surpreso:
- Senhora Magali e Senhor JESUS?
- Sim, eu mesmo!
Respondi irritado pra ele, apesar de que entendo seu espanto em ter um Jesus numa festa dessas.
La dentro havia uma musica ambiente se não me engano era Vanessa da Mata, uma mesa gigante com todo tipo de frutas e algum tira gosto, tudo de primeira, eu maravilhado com tudo e todos, mal dava pra disfarçar o meu fascínio e enquanto isso Magha já estava com uma taça de espumante nas mãos e elogiando o vestido de uma das convidadas, logo a sala estava cheia e no meio dela um casal falou um pouco mais alto pedindo a atenção de todos que logo ficamos todos em silencio, e o anfitrião falou:
- Caros amigos, estou muito feliz que estamos novamente nos encontrando, e isso é um ótimo sinal, porque quer dizer que todos gostaram de nossa ultima reunião!
Houve um tremendo burburinho e risadinhas maliciosas.
- E vejo que trouxeram convidados, sejam bem vindos e espero que se comportem.
Falando isso deu uma piscada para todos e ergueu seu drink brindou.
- Desejo que todos se divirtam, vamos brindar ao sucesso de nossa reunião e como de costume cada casal dêem um beijo em seu parceiro e logo após a festa vai dar inicio.
Opa! Isso não estava nos planos, eu olhei rápido para Magha e ela olhou bem fundo nos meus olhos, e nem precisou dizer nada que eu entendi o recado, peguei na cintura dela e com o cuidado de quem vai desarmar uma bomba eu toquei seus lábios.
Capitulo 5: O CÉU
Cara se um dia você for crucificado vai ver que não estou exagerando, aquilo tudo doía muito, e eu não conseguia pensar direito e colocar as idéias em ordem parecia impossível, na hora pensei em rezar para me livrar dessa enrascada, mas logo me lembrei que estava de relações cortadas com Deus, vou explicar. Desde muito jovem eu pensava nisso, eu até fiz primeira comunhão e rezava às vezes, mas Deus nunca foi muito de conversa e nunca se quer atendeu um único pedido meu, e logo eu que era chara de um de seus filhos mais famoso, pensava que teria alguma regalia por conta disso, mas pelo contrario, fui esquecido por ele, e conforme foi passando o tempo já não rezava mais, mas sempre que acontecia algo errado eu o questionava o modo como ele tava levando as coisas, como na vez que os terroristas derrubaram o WTC, vendo aquilo pela tevê ao vivo e um mundaréu de gente morrendo em rede nacional, desliguei a televisão fui pro murro do colégio e acendi meu baseado e depois de dois tragos bem demorados comecei a dizer poucas e boas, mas sempre o tratando com respeito.
- Pois é Senhor, mais uma de suas travessuras! Onde você estava quando aqueles malditos aviões bateram naquelas torres? – Ta certa que ninguém vai muito com a caras dos “gringos”, mas será que não dava pra salvar umas vidas ou vai me dizer que todo mundo lá não prestava?
Alguns minutos de silencio e sem respostas, comecei a falar de novo.
- Sabe? Tem o lance do crack que ta matando a molecada e destruindo as famílias, já to farto de ver as mães que vão aos cultos pedirem ao Senhor para ajudar os seus filhos e nada?!
Silencio...
- Quer saber? Já que você não me responde, também não pergunto mais!
E depois disso nunca mais nos falamos.
De repente eu acordei do meio devaneio com uma musica que já tinha ouvido antes, e tudo começou a ficar claro como um amanhecer azul claro, e quando um homem veio caminhando em minha direção acompanhado de um coral de crianças, todas vestidas de branco e o homem com seus cabelos cacheados e uma rosa vermelha nas mãos cantando “A guerra dos meninos.” - Roberto Carlos?!
- Cara você é Deus?
- Não sou o rei!
- Porra, que diabos você faz aqui? E da pra pedir pros pirralhos pararem de cantar que estou com a cabeça explodindo!
- Quer que eles cantem “Jesus Cristo?”
- Cara será que eu morri e esse é meu castigo? Quem vem mais? Pelé, Xuxa...
Quando de repente sumiu o Roberto Carlos e comecei a ouvir outra musica, era “Jesus chorou” do Racionais Mc’s, pensei, pronto agora vai aparecer o Mano Brow, mas quem apareceu em sua BMW branca com bancos de couro da mesma cor e com neon azul no painel, DVD nos quatro bancos, e o som quando ligado no ultimo volume, que tremeu até o chão, saindo do carro sorrindo com seus seguranças, disse:
- Ora, ora, ora, que coincidência “Jesus” ouvindo “Jesus chorou”. Hahaha, não foi por acaso isso, eu achei apropriado a musica com a situação. Não fomos apresentados ainda, né? – Prazer, me chamo Caçapa, acho que já ouviu falar de mim?!
Capitulo 6: FIM DE FESTA
Aquele beijo me deixou mais extasiado que qualquer baseado, acho que no maximo durou uns trinta segundos, mas que deu tempo pra sarar do efeito maconha,amolecer minhas pernas, arrepiar minha nuca, e esquecer o motivo daquele beijo doce como mel, lábios suaves como veludo e dentes afiados como de um pit-bull.
- Aíííí, que deu em você? Por que me mordeu?
- Você é quem esta louco em aproveitar a situação, meu cliente esta logo ali nos observando, olhe bem ali, de smolking.
Nem precisei procurar muito, o cara deveria ter uns dois metros (exagero meu!), e estava muito bem arrumado e acompanhado de uma loira linda, apesar de estar de mascara dava pra ver de longe seus olhos azuis, e muito bem à vontade com os outros convidados, e quando olhei para o rosto do meu patrocinador vi que ele me olhava fixamente sem piscar os olhos e tive a impressão de já ter visto ele antes.
Mas logo voltei a olhar pra Magha depois de um beliscão que me deu.
- Escuta aqui, é agora que nos despedimos, fique o quanto quiser mas depois pegue o carro e vai embora, e amanhã devolva ele inteiro pra locadora, beijo e se cuida!
Falando isso ela me deu um selinho no rosto e um tapinha na minha bunda e sai dançando no meio dos outros convidados.
Naquele momento fiquei sem ação, nem ao menos pude dizer um tchau, fiquei parado por alguns momentos ainda sentindo o doce sabor de seus lábios e os meus latejando ainda pela mordida que levei.
Só percebi que estava ali parado feito bobo quando começou tocar The Doors - like my fire, e todos deram uns gritinhos e começaram a pular e dançar, alguns mais desinibidos já começaram a tirar as roupas e do nada já tinha uma dona grudada no meu pescoço e com a língua dentro da minha orelha e outra bem em minha frente fazendo um strip, e percebi que estava com problemas, pois depois do beijo que dei na Magha as coisas mudarão em minha cabeça, e minha ferramenta já não estava querendo funcionar direito, talvez pela pressão, ou por ter aquele mundo de gente se beijando e dançando as luzes piscando e eu e Jin Morrison pedindo desesperadamente para que acendam meu fogo! E meus pedidos foram atendidos quando ganhei um beijo de língua daqueles bem molhados e de brinde um compridinho que eu não sei bem o que era mas que desceu goela abaixo com vinho que umas das três mulheres me deram e depois de uns cinco minutinhos depois o mundo ficou cor de rosa, todos estávamos dançando e sorrindo, havia um perfume gostoso no ar e parecia que todos eram bonitos e felizes a musica parecia tocada por uma sinfônica, ah e a “ferramenta” estava a ponto de explodir, e em minha volta estava todo mundo nu, apenas de mascaras e por incrível que pareça eu achava aquilo tudo normal, na verdade parecia uma brincadeira de criança só que pra adultos, lembro-me que alguém teve a idéia de todos os homens ficarem lado à lado e as mulheres iam vindo fazendo um “bola-gato” ou pra quem não conhece o popular boquete em cada um de nós, o que me deixou muito contente, porque acho que não existe homem no mundo que não goste de um buballoo bem feito. Eu estava nas nuvens em uma festa que iria ficar na história, primeiro foi uma loirinha que tinha muita habilidade com a língua, depois foi uma japa que parecia me sugar todas as minhas energias e agora um moreno que tinha uma certa pratica... OPA!!!, eu disse um moreno?
- Que porra é essa? Ôôôôuuuuuu seu FILHO DE UMA PUTA! Pode parar com essa sacanagem aí, o que que a, meu velho, que putaria é essa? “num” se tem mais respeito?.
E não pensei duas vezes e cobri o boióla de porrada, foi aquela confusão, mulherada gritando e um monte de peladão trocando murros, e sem poder me defender fui expulso da festa, com minha calça nas mãos. Como sempre eu acabo estragando tudo, perdi de participar da melhor festa que já pude ir, e pior, a Magha vai me matar!
Capitulo 7: CAÇAPA
-Meu que dor de cabeça dos infernos, acho que nunca tive uma ressaca dessas!
- Cara me conta mais, as minas eram gostosas? Tinha cerveja? E os sons? Ah e o mais importante, se viu a Magha peladinha como veio ao mundo?
Perguntava Judas com aquela cara de lobo do desenho Pica-pau, contei detalhadamente tudo que aconteceu desde que saímos daqui até chegar na festa, omiti o beijo em Magha porque sabia que ele era vidrado nela mesmo ele jurando que não todas as vezes que tocávamos no assunto, contei dos comes e bebes, das musicas, das mulheres que estavam na festa, o que tive que falar mais de uma vez, porque ele queria saber nos mínimos detalhes, comentei do cliente misterioso e de sua mulher maravilhosa e que ele ficou me encarando, fato que Judas ficou me sacaneando dizendo que ele também estava a fim de mim, rolando de rir quase caído do murro, e quando contei o motivo que fui expulso da festa ele não parava mais de rir, onde que ele se engasgou com o cigarro e começou a tossir como um louco, e quando melhorou começou a rir de novo, fato que me aborreceu, e o deixei sozinho rindo e fui dar umas voltas de moto.
Tinha duas coisas que estavam me incomodando da noite passada, uma delas era que me incomodava a vida que Magha levava, como é que pode uma menina de quinze anos levar uma vida dessas, a dez anos atrás as meninas com quinze anos brincavam de boneca, mas uma coisa que era inegável era sua beleza que de quinze não tinha nada e outra coisa era sua personalidade firme como uma rocha, era inegável que essa garota me balançava, mas me preocupava aonde essa vida bandida iria levá-la, só sei que a única certeza que tinha é que iria estar sempre por perto pra protegê-la, bom ai é que mora o perigo por que sempre que estou por perto algo ruim acontece, talvez o melhor seria ficar longe dela pra evitar mais confusões, enquanto pensava eu ia acelerando minha moto pelas ruas de Sampa, mas a outra coisa que me incomodava era o seu cliente em algum lugar, afinal um cara daquele tamanho não é fácil de esquecer, e aquele olhar pra mim na festa era meio ameaçador apesar da distancia senti um arrepio quando me encarou, mas fora o tamanho e o olhar ele não tinha mais nada de familiar a não ser sua enorme boca.
-Claro! Ele era o Caçapa, o sócio do Chicão um cara novo no pedaço que anda virando a cabeça do Chicão nos negócios, que antes era só maconha e farinha, e ele esta trazendo a maldita pedra, que viciou todo mundo por aqui, e ta ganhando muito dinheiro, status e respeito por aqui ou melhor, ta metendo medo em todos, por matar seus inimigos, no caso é bom eu me cuidar ou acabo na sua mira, por causa da Magha, por que pelo jeito ele ta fissurado nela e possa pensar que eu estou atrapalhando, mas o caso é que ela acha ele um babaca, e só ta interessado no dinheiro dele, ou melhor quem acha isso sou eu e espero que ela pense o mesmo.
Seu apelido é devido a sua boca grande como uma caçapa de snooke, e sua fama vem desde criança, quando aterrorizava a molecada roubando bicicletas, tênis, e pipas, etc.
Também sempre fez sucesso com as mulheres, tendo um porte atlético desde jovem o ajudarão a se formar no colegial, graças a suas saídas com as professoras, dizem que ele foi pego com uma professora de inglês no estacionamento da escola fazendo um sexo oral nela pra poder tirar uma boa nota na prova oral, dizem que tirou dez, a nota máxima por sinal, e quando foi pego no banheiro feminino com a professora de educação física, foi direto pra diretoria e depois de quarenta minutos a sós com a diretora e a tal professora, ele voltou para a sala de aula como se nada tivesse acontecido, e depois daquele dia a diretora andava pelos corredores do colégio cantarolando e as vezes ate dançando.
Quando cresceu depois de alguns pequenos delitos, resolveu dar um passo maior em sua careira de contraventor, se uniu a alguns ladrões de banco, e já no primeiro assalto se deu bem porque na fuga ele foi o único que sai vivo, os outros foram baleados e mortos pela policia, e Caçapa fugiu com sua moto para o litoral e só foi reaparecer somente depois de cinco anos. Quando voltou, reapareceu em grande estilo com sua BMW branca, vestido de social e óculos escuros e ouvindo rap no ultimo volume, e saiu dizendo que agora era empresário, e que era verdade, ele investiu o dinheiro do roubo em carros, imóveis, e um caminhão pra frete, mas especificamente usado para roubar cargas, mas de um ano pra cá ele mudou de ramo e parou de roubar para traficar onde o risco era menor e muito mais lucrativo, a policia ganhava uma comissão nas vendas e não incomodava, ele tinha o Chicão como sócio-gerente e a molecada da favela como seus aviõezinhos para distribuir a mercadoria para os clientes, e ele só tinha que cuidar das finanças sem se preocupar em sujar suas mãos. Chicão era um traficante do tipo gente boa, pendurava o papelote pra rapaziada e as vezes até esquecia de cobrar, mas agora com o Caçapa a coisa mudou muito, quem não paga morre, quem usa dentro da favela morre, quem rouba na favela morre, e quem ele não gosta morre, e pra ser sincero estou começando a ficar com medo por mim e pela Magha.
Nesse momento tive que parar a moto e ligar para o Judas.
-Alô, Judas?! Velho, abandona tudo que se ta fazendo e vem me socorrer que a gasolina acabou bem aqui na imigrantes quase chegando em Santos...
E só deu pra ouvir um belo “vai tomar no cú”, e depois de uma hora ele tava lá reclamando muito, mas quando parceiro é parceiro, não falha.
Capitulo 8: LORO JOSÉ
Aquele sorriso era impossível de se confundir, grandes e brancos como umas teclas de piano, apesar de que no começo eu não o reconheci seu rosto, pensei comigo mesmo, “será que eu o tenho adicionado no ORKUT?!” mas como eu estava naquela situação, debilitado pela perda de sangue, e não conseguindo raciocinar direito, só entendi algumas palavras do que ele disse, fora os palavrões que me disse, eu entendi algo a respeito de Magha e do gol de pênalti que marquei, fora isso a musica alta e os faróis do carro em minha cara não me deixava me concentrar, ele entrou no carro e umas das ultimas coisas que me disse foi que já que eu era “Jesus” porque não fazia um milagre e saia da cruz?
Pelo jeito ele não era muito religioso, ou será que ele esqueceu que Jesus morreu na cruz? Mas o que me chamou a minha atenção foi que um urubu que pousou no lado esquerdo da cruz e começou a me olhar fixamente no fundo dos meus olhos e começou a abrir lentamente seu bico, fechei meus olhos e percebi que havia chegado minha hora e se existisse céu mesmo acho que era agora que eu ia descobrir. De repente eu ouso um berro:
- Bommmmm Diiiaaaaa! Acorda menino!!!!!
Abri os olhos e olhei para meu lado e o urubu estava falando comigo!
- Acorda Jesus ta na hora de se arrepender de seus pecados.
- Serio?! Você é tipo um anjo que veio do céu pra me julgar se vou pro céu ou inferno?
- Claro que não! Hahaha, bom,apesar que eu vim voando do céu...
- Mas que porra é essa então? Quem é você?
- Orra não esta me conhecendo? Eu sou o Loro José!
- Mas você é um urubu?!
- Ó! Ta vendo o preconceito, só porque sou um pouquinho escuro, já vai me chamando de urubu, “qualé cumpadi”, sabia que posso te lascar um processo, isso é racismo.
- Cara no maximo você pode ser um Anu, porque pra papagaio você ta longe.
- Ta vendo, a gente vem aqui pra dar um apoio moral, e o que eu recebo? Esse tipo de tratamento preconceituoso de pessoas que se acham melhores que nós afro-decendentes, mas tá bom se quer que eu vá embora, tudo bem eu já to indo mesmo, bem que me disseram que você não é boa companhia, e tem mais eu...
- Opa! Espera ai, desculpe o meu mau jeito, tenta entender a minha situação, mas se puder ficar um pouco, eu estava precisando falar com alguém mesmo.
- Obbaaaaa!!!!!! Então eu fico, mas antes eu vou contar uma piada, que é o que eu sei fazer de melhor.
- Piada? Mas eu estava precisando mesmo é de ajuda pra sair daqui...
- Bom se quiser posso ir embora?
- Claro que não, uma piada seria muito bom pra melhorar meu começo de dia.
Ai o urubu começou a contar a sua piada:
- O ladrão arrombou a casa pensando que ela estava vazia e, quando ia atravessando a sala, ouviu uma voz:
— Jesus te vê.
O ladrão ficou assustado e intrigado, pois não via ninguém. Parou por uns instantes mas logo continuou em direção a um dos quartos. Mal deu um passo, ouviu a mesma voz:
— Jesus te vê.
Olhou em torno mais uma vez e viu um papagaio em cima do poleiro num canto da sala.
— Foi você quem falou que Jesus me vê? — perguntou o ladrão.
— Sim, fui eu mesmo.
Mais aliviado e para descontrair, o ladrão resolveu puxar conversa com o papagaio e perguntou:
— Qual é o seu nome?
— Abidoral.
— Que nome mais idiota para um papagaio! E quem foi o imbecil que lhe deu esse nome?
— Foi o mesmo imbecil que deu o nome de Jesus àquele rotweiller ali — disse o papagaio apontando para um enorme cachorro sentado no outro lado da sala.
E o urubu caiu na gargalhada, me perguntando se entendeu que na piada havia nós dois como personagens.
Nunca pensei que ficar crucificado seria tão torturante assim e pior não dava pra ficar, e perguntei ao “Loro José”:
- Quem foi quem disse pra você que eu não era boa companhia?
- Orra! Quem mais senão a Ana Maria Braga que esta crucificada ao seu lado!
Eu olhei para o lado e não havia ninguém, e o maldito urubu com complexo de papagaio caindo na gargalhada do outro lado.
Capitulo 9: NATONAL GEOGRAPHIC
Bom já que estávamos em santos demos um esticadinha para o Boqueirão, afinal tinha que recompensar, o Judas pela “preza” que fez de vir me socorrer e outra, descer a serra e não comer um espetinho de camarão e dar uma salgada na bunda pra tirar a zica, e Judas como é malandro já veio na intenção e trouxe umas bermudas pro mergulho na praia. Aqui no boqueirão é umas das praias mais legais do litoral sul, nem é tão bonita, mas é o lugar mas parecido com a minha quebrada só que com o mar logo ali de frente, mas de resto é tudo igual, a periferia toda em peso por ali, sempre trombo alguém conhecido por ali, se lá em cima as minas já andam quase peladas aqui é o bicho, todas de fio dental, douradas, e com muita disposição, prontas pro crime. E é nessa onda que eu e Judas vamos surfar, nosso plano é bem simples, sentamos em uma mesinha de algum quiosque que esteja rolando um som, ai pedimos uma cerva trincando de gelada e uma porção que é o motivo principal de estarmos aqui, ai é só tirar a camisa e colocar uma lupa escura e começar a filmar quem vai ser a próxima vitima.
Judas é um expert na matéria de caçar, ele fica a espreita, só observando sua vitima, e ele já localizou seu alvo sinalizando para mim apenas com um balanço de cabeça, eu vi a presa que sempre andam em bandos, todas saltitantes e felizes, estavam em cinco meninas todas com no maximo vinte anos, e Judas nem precisou me dizer qual delas que era porque eu já conhecia seu gosto, ela estava de biquíni amarelo canário que contrastava com seu bronzeado que reluzia com a luz do sol por causa do brilho do protetor solar, ela tinha uma tatuagem estrategicamente localizada nas costas um pouco acima do “cofrinho”, os pelinhos das pernas descoloridos, e um piercing no umbigo que dava reflexos para todos os lados que era impossível de não notar, ela tinha 1,60 m mais ou menos, tamanho ideal para mulher segundo Judas, ele ficou a fitando por alguns momentos até ela notar que ele a olhava e comentou com suas amigas e todas sorriram, aos poucos uma a uma foram dar um mergulho, agora era a hora a presa estava só e desprotegida e agora era a hora de agir Judas se levantou deu uma olhada no rosto pelo reflexo da vitrine de salgados e disse.
- Hora da caça! Me observa e aprende, rsrsrs.
Eu sorri e fiquei só olhando qual seria a abordagem. Ela estendeu sua canga na areia passou seu bronzeador em suas pernas e braços, deu uma conferida no biquíni e se deitou para pegar uma cor e ressaltar mais ainda a marquinha do bronze, e como mágica lá estava ele do lado dela com um copo de raspadinha com pedaços de morango e creme de leite em umas das mãos e na outra um lata de cerveja, da onde eu estava não conseguia ouvir o que eles diziam, mas ela já sorria e ele sentou ao seu lado e em cinco minutos ele já estava espalhando o bronzeador naquele corpinho perfeitinho, ele olhou pra mim e por cima dos óculos me deu uma piscada, e eu pensei comigo mesmo, o predador mais uma vez se capturou sua presa. Mas de repente pensei o que a Magha estaria fazendo agora...
Capitulo 10: DIA DE FUTEBOL
Eu já estava de saco cheio de praia, já não agüentava mais camarão, cerveja, e caipirinha de maracujá. O sol do meio dia já estava fritando meu celebro, e já estava ficando irritando com as amigas da Carol, a mais nova conquista de Judas, falavam sem parar e riam a toa, os dois só no “Love”, e eu não tinha catado ninguém, porque não estava no clima, só pensava em Magha saído com o Caçapa o cara mais escroto que eu conhecia, ele saiu com todas as minas que eu conhecia, elas quando não caiam no seu xaveco, ele as compravam com presentes, festas, drogas ou dinheiro mesmo, que era o caso de Magha, depois que saia com elas ele as maltratava e até batia nelas e era isso que me preocupava.
Meu celular tocou e me acordou dos meus pensamentos, xiii era D.Dida, e ela só liga quando é coisa seria.
- Alô! D.Dida já tava com saudades dos seus telefonemas.
- Jesus meu filho onde é que você esta? O jogo vai começar daqui a pouco e você ainda não deu as caras por aqui, e o Chicão esta uma ferra com você!
Pultz e eu havia me esquecido do futebol que ia rolar no campo da favela contra o time do bairro.
- Dida eu estou aqui pertinho e já chego, fala pro Chicão ir preparando os uniformes...
- E vê se traz o Judas com você, e não se esqueça que o Chicão conta com vocês por que ele apostou muita grana nesse time do sovaco-da-cobra, não vão decepcionar ele.
Pulei de um salto da cadeira do quiosque e fui pagando a conta e falando pro Judas ir se arrumando, e ele também tinha se esquecido, mas não estava com tanta presa quanto eu e não parava de dar bitoquinhas na Carol e trocarão telefones e se bem conheço ele iria perder o telefone da moça bem antes de subirmos a serra.
Batemos nosso record pra subir a Imigrantes da praia em casa em casa em apenas 45 minutos, o que não foi o suficiente porque o jogo já tinha começado, e Chicão nos olhou com uns olhos de reprovação que nos meteu medo, sem pensar duas vezes fomos calçar nossas chuteiras quando aos 10 minutos de jogo sai um gol para os Estrela Azul, nome curioso desse time porque o uniforme era vermelho e branco e sendo assim, teria todos os motivos para se chamar estrela vermelha, mas eles não queriam nenhuma comparação com a estrela do PT, e nesse jogo também havia algo curioso um dos donos do time também estava jogando na saga e pelo tamanho o reconheci de imediato, era Caçapa jogando com a braçadeira de capitão do time de vermelho, e com um zagueiro desse porte tava até medo em qualquer atacante, menos em mim e Judas que éramos uma dupla infalível driblávamos e tabelávamos como ninguém nas redondezas, competíamos entre nós quem daria um olé ou drible mais humilhante nos adversários, e hoje era dia do Caçapa ser humilhado por nós.
Sovaco-da-Cobra x Estrela Azul, era como um jogo do bem contra o mal, e lógico que os mocinhos éramos nós, isso em minha opinião porque o Caçapa também ajudava muita gente por aqui, como dar cestas básicas, segurança para o comércio, e advogados para quem tinha parente preso, as vezes pagava as contas de luz e água de algumas viúvas e doces para as molecadas, já eu vivia arrumando encrenca dando algum golpes e logrando algumas pessoas com minhas mercadorias, mas esse não era o caso, porque era o caçapa quem estava viciando toda a molecada em drogas mais pesadas, e aos poucos estava tomando o controle da favela e colocando Chicão como um mero funcionário dele, e hoje seria minha vingança contra ele, só que minha vingança ia ter que esperar por que o camarão que comi na baixada estava fazendo um “revertério” danado no meu estomago e só deu tempo de falar para o Judas que estava indo no banheiro e já voltava.
E sabe quando por frações de segundo quase não ia dando tempo de baixar as calças e sentir uma cólica monstruosa, e enquanto isso eu ouvia o grito de gol lá fora e pelo jeito não era nosso, 2x0 pra eles e eu trancado aqui nesse banheiro sujo e fedido e para meu desespero total sem papel higiênico também.
Judas deu três batidinhas na porta e disse que já estava entrando no jogo e era pra eu andar rápido porque o bicho estava pegando, e nem deu tempo de eu pedir papel porque ele já tinha sumido.
Acabou o primeiro tempo em 2x1 para o E no jogo Estrela Azul com um gol de pênalti no finalzinho do primeiro tempo em que foi Judas quem marcou.
Quando finalmente sai do banheiro um pouco pálido ainda fui até Chicão pedir pra me por no jogo, ele olhou pra mim e perguntou se tinha certeza? Disse que nunca estive melhor e a essa altura o jogo estava 3x1 pra eles e já eram 15 minutos do segundo tempo, quando entrei em campo Judas me olhou de cima em baixo e depois perguntou. - - Onde esta o outro pé do seu meião?
- No cesto de lixo do banheiro!
- Porque jogou um pé fora?
- Não tinha papel no banheiro!
E a bola estava em jogo de novo, e em menos de 2 minutos de jogo Judas me lançou matei no peito e sem deixar a bola cair meti no ângulo, 3x2 agora o jogo era outro, e na passagem de volta pro meu campo Caçapa me deu uma trombada e disse que na próxima ele ia quebrar minhas pernas. E mal sabia ele que essa era a senha pra mim e Judas começarmos o show, pegávamos a bola e metiamos no meio das pernas, dávamos chapéus, e tudo mais do nosso repertório, e enquanto isso Caçapa estava tentando nos caçar em campo, e isso nos divertia mais ainda, e aos 40 Judas marcou outro agora de voleio, e a virada veio aos 45 minutos do segundo tempo com uma bola enfiada entre os zagueiros e o goleiro veio como um louco pra cima de mim e eu o chapelei como o Falcão do Futsal e antes de chutar pro gol ainda dei um rolinho de carretilha entre as pernas de Caçapa que caiu dentro do gol e com a sola do pé rolei a bola bem de vagarzinho para dentro do gol e antes do juiz terminar o jogo Caçapa veio para cima de mim e começou o empurra-empurra e Chicão e D.Dida me tiraram do meio daquela bagunça, e eu e Judas fomos levados nos ombros até o bar do Pedrinho pra comemorarmos a vitória sem antes ouvir um sermão de D.Dida, Judas comentava cada lance do jogo e sempre que repetia o lance aumentava um pouco mais, e de repente ouvimos um som alto vindo da rua, era Caçapa em sua BMW passando bem de vagar nos encarando, mas o que me incomodou mesmo foi ver que quem estava ao seu lado era Magha.
Capitulo 11: E-MAIL DA MAGHA
Putz quase se passou uma semana e depois da minha mancada na festa não vi mais a Magha a não ser no domingo passado quando passou no carro do Caçapa, mas essa não conta, a semana passou lentamente não vi Caçapa por esses dias mas andava esperto pra não cruzar com ele porque ouvi dizer que ele estava uma fera comigo, e até o muro da escola no final da noite não era a mesma coisa, fumávamos em silencio e conversávamos pouco, sobre futebol, as entregas do Judas, e a falta que Magha estava fazendo, é incrível como a fumaça do back perdia toda graça sem aquela baixinha que sempre tinha algo engraçado pra contar e sua risada nos fazia rir também.
Por volta das 23:00h me despedi de Judas e fui em direção de casa mas tive que mudar os meus planos porque vi o carro de Caçapa em frente da entrada da favela, e era mas prudente dar a volta e entrar pelo fundos da favela, no caminho vi que a lan house ainda estava aberta e resolvi dar uma olhadinha nos meus recados do Orkut e e-mails. Se tem uma coisa que me enche o saco era esses recadinhos com musiquinhas e mensagens “bonitas”, pô se a pessoa não tem o que dizer, diz um “oi como esta?, saudades” ou coisa parecida e não vem com essas frases feitas, porque nem leio já vou excluído tudo, mas o que eu estava procurando era algum recado de Magha mas não havia nenhum dela a não ser um depoimento que já havia deixado a algum tempo cheio de coraçãozinhos e letras de fontes diferentes e cores que eu nunca soube fazer, pensei em fazer um depoimento pra ela mas não estava inspirado e achei melhor não, depois fui ver meu e-mail que já fazia um bom tempo que não abria ele e entre muitos spans, propaganda e vírus eu vi um e-mail dela para mim, nem sei porque mais meu coração começou a bater mais rápido, demorou alguns segundos até abrir o recado mas já deu pra perceber que tinha as cores e letras que ela costumava escrever em seus recados...
“... Toda mulher espera de um homem carinho e companheirismo, ele deve ser divertido nas horas certas e saber ficar em silencio, e só ouvir o que queremos dizer e entender o recado sem precisarmos dizer nada, gostamos de elogios e presentes, na hora do sexo tem que ter pegada e entre umas sacanagens ditas no ouvido também gostamos de palavras românticas e o principal tentar não gozar tão rápido e nos deixar na mão, e com um pouco de paciência conversar um pouco depois.
As vezes abrir a porta do carro ou dar uma flor em um dia qualquer, guardar o bombom mais gostoso da caixa pra nós. Não queremos um príncipe, nos contentamos com um sapo que esteja em forma e que tenha tempo pra assistir um filme romântico.
Eu desisti dos políticos que criam impostos um atrás do outro e a cada seis meses um aumento pra si próprio, de patrões tiranos e machistas, policiais corruptos, padres pedófilos. Cansei de professores que não ensinam, de farol vermelho, e da novela das oito, não acredito em médicos e advogados, cansei de amar e cansei de sofrer, e nesse mar de gente estou me afogando e estou sem coletes salva vidas!”
Fiquei alguns minutos pensando no que li, e depois reli tudo de novo, e disse em voz alta. “– Que porra ela quis dizer com tudo isso?!”
Nessa noite não consegui dormir, e quando dormi sonhei com Hitler fazendo cooper com um poodle e sem calças em plena avenida paulista tão confuso quanto o e-mail de Magha.
Capitulo 12: RAUL?!
Acordei com ânsia de vomito, não sei quanto tempo estava ali, estava com a garganta seca e com o corpo todo latejando, olhei para o lado pra ver se tinha um urubu ao meu lado, bom ao menos não estava mais delirando, quando ouvi alguém assoviando, e olhei para baixo e havia um homem de pé olhando para mim.
Sujeito com uma camisa preta e de jeans surrado cabelos longos e barba grande desgrenhada, um pouco na duvida perguntei em voz baixa.
- Raul Seixas?
- Apesar de ser quem é, si quer reconhece um irmão seu?
- Desculpe-me, mas é que daqui em cima não posso te ver direito. Escuta, estou precisando de ajuda, chame um medico...
- Sabe! Já fui um ótimo torneiro mecânico, tive mulher e dois filhos, eu era feliz na medida do possível, mas daí comecei a beber, no começo pra distrair depois de um dia duro de trabalho, depois pra esqueceras dividas e depois bebia sem motivo mesmo, maldito álcool. E em um certo dia descobri que minha mulher estava me traindo, perdi a cabeça e dei uma surra nela e em meus filhos, e em um dia que voltei do trabalho com uma garrafa de pinga em baixo do braço, estava tão bêbado que não notei que a casa estava vazia e fui notar que havia sido abandonado por minha família que eu sempre amei e dali por diante nunca mais parei de beber, mas sempre pedindo ao “senhor” pra me ajudar a parar de beber, pra devolver minha família e minha vida...
-Senhor um medico, por favor...
- Como ousa pedir ajuda a quem sempre negou ajudar? Rezei pela sua ajuda durante meses, até descobrir que você deve ter seus próprios problemas e não tem tempo para perder com seus irmãos.
E ele saiu cambaleando com sua garrafa e cantarolando...
-... Eu prefiro serrrrr, essa metamorfose ambulante...
E eu lembrei que já havia pagado uma dose pra esse maldito bêbado filho de uma p...!
Capitulo 13: PECADO
“...Quando criança eu e Judas íamos para uma rua que ia dar na represa do Guarapiranga, mas que no final da rua terminava em uma encruzilhada. Era de lei, toda sexta a noite estava la nós dois, meio que escondidos mas nem tanto ficávamos observando do alto da rua fumando um cigarro e esperando acabar o despacho, e quando todos iam embora descíamos a rua e íamos ver o que tinham deixado para o santo, sempre rolava um charuto,cigarro, e com muita sorte umas bebidas que era o que procurávamos, bebíamos tudo e pra sacanear fazíamos xixi na bacia de farinha que deixavam. Durante anos esse foi nosso programa de sexta a noite fumar charuto e beber pinga barata na beira da represa vendo a lua e as luzes da cidade refletidas nas águas poluídas da represa...”
“...Uma prima minha sempre foi muito bonita, desde pequena já tinha seios e bunda grande, era a musa inspiradora da molecada na hora do “cinco contra um” no banheiro, mas um dia eu segui ela e uma amiga que foram para trás do colégio ao invés de entra na aula, acho que elas deveriam ter uns 17 anos na época, e eu queria ver o que as duas estavam fazendo escondidas naquela hora da noite, fui me escondendo por de trás do muro até ter uma visão clara delas, e o que vi ficou marcado em minha memória, e até hoje não consigo esquecer, elas iluminadas pelas luzes que vinham das salas de aula, mas que as clareavam apenas da cintura pra cima, e o que vi parecia algo divino, havia uma aura ao redor delas que as deixavam meio amareladas como em uma fotografia antiga, era como estar tendo uma visão do paraíso, duas ninfetas lindas se beijando ofegantes, entre mordidas nos lábios e as mãos deslizando por de baixo da camiseta do uniforme do colégio elas paravam e se olhavam uma para outra e sem dizer nada começavam de novo aquela cena lasciva que me fazia tremer o corpo inteiro, e a partir desse dia sempre as seguia pra ter só pra mim aquele espetáculo que era só pra mim, mas até que um dia que já não me contentando em só ver quis participar também, e um dia falei para as duas que já sabia de tudo o que estava acontecendo, e disse que estava seguindo-as já algum tempo e se não me deixasse participar eu iria contar para todo mundo, e elas indignadas não me quiseram e eu cumpri minha ameaça e todos no colégio souberam do caso das duas. A amiga, à família trocou de colégio e nunca mais se encontraram e minha prima parou de freqüentar as aulas, um pouco de vergonha e tristeza por sentir muitas saudades da companheira, nunca mais foi a mesma e hoje não é nem sombra daquela gata do passado, agora é viciada em crack, ficou feia e faz um boquete por troca de pedra...”
“... Elaine tinha todas as qualidades que um cara sonha: Carro do ano, dinheiro e uma bunda enorme, que ela fazia questão de mostrar com roupas bem justas, seu único defeito era o marido muito ciumento e com toda razão porque Elaine era do tipo fogosa, dessas que não se satisfaz com pouca coisa. Seu Sergio o marido dono de uma padaria, onde passava a maior parte do tempo trabalhando, quase não tinha tempo para Elaine, e eu como era freguês a tempos da padoca Seu Sergio sempre me pedia pra levar um lanche pra Elaine porque ela não gostava de fazer janta, afinal jantar sozinha não tinha graça, e em uma dessas vezes em que fui levar seu lanche que era caminho para minha casa começamos a conversar no portão de sua casa, e papo vai e papo vem, ela me convidou para entrar, ela uma coroa de no maximo uns 38 anos e com a libido a flor da pele por falta de assistência do marido caiu fácil em minhas cantadas e transamos quase a noite toda e só paramos porque logo depois da meia noite Seu Sergio chegava, e assim foram quase dois meses, eu ia na padaria tomava minha cerveja e depois fazia minha boa ação do dia levando o jantar da digníssima mulher do padeiro.
Mas Sergio não era uma pessoa totalmente feliz por não poder ter filhos, mesmo depois de ter feito vários tratamentos não eficazes, ele acabou se conformando e desistindo da idéia de ter um filho homem pra poder cuidar de seu patrimônio, mas em uma noite quando fui levar o lanche de Elaine ela não estava com uma boa cara e La dentro me contou que estava grávida e depois desse dia nunca mais a vi, e dizem que Seu Sergio quando descobriu a gravidez de Elaine a expulsou pra fora de casa...”
Olhei para o céu com certa dificuldade e falei:
- Bom já confessei alguns dos meus pecados, será que tem como eu morrer logo e terminar com esse castigo?
Mas como sempre não obtive respostas, e já não tinha, mas forças e comecei a chorar
e tentar entender o motivo de tudo isso.
Quando olhei para baixo e notei um rosto conhecido que tentava desesperadamente me tirar dali...
Capitulo 14: O FIM
... Jesus... Jesus... Fale comigo! Socorro, socorro!
Era tudo que eu consegui ouvir, e nas trevas só o que vi foi um rosto de um anjo.
Magha me achou quase morto devido à quantidade de sangue que perdi. Devido aos gritos dela, acordou a favela inteira, e em minutos já tinha a imprensa e jornalistas, e até helicópteros sobrevoando a favela com link ao vivo para filmar “Jesus crucificado”, e já começou neste instante uma corrente de oração em minha volta, e não sei de onde apareceram tantas beatas, Judas estava do lado de D.Dida e Chicão, todos desesperados, e nunca vi tantas viaturas como num balé de luzes, não me lembro direito como me tiraram da cruz, mas sei que fiquei uns cinco dias no hospital, e quando sai dei entrevistas pra televisão, jornais e revistas o que achei até legal, mas o que me incomodava mesmo eram as romarias em frente da minha casa todos os dias aquele monte de velas acesas e gente me pedindo milagres. Mas se soubesse fazer milagres traria Magha, quando penso nela me da um vazio enorme por dentro, Judas me disse que ela fugiu com Caçapa e nunca mais deu noticias e agora virou história que eu e Judas contamos quando estamos no muro da escola lembrando dos seus trejeitos e seu sorriso meio que engasgado. D.Dida voltou com Chicão, mas acho que nunca se separaram de verdade, mas não tenho coragem de chamar ele de pai mas é um grande amigo, e Judas continua sendo parceiro pra tudo, como irmão mesmo, continuamos a sairmos juntos dividindo a conta, o cigarro e as mulheres. E eu agora além de ter nascido em vinte e cinco de dezembro, me chamar Jesus ter um pai Francisco agora tenho marcas de pregos nas mãos e nos pés, mas o que mudou agora é que fiz as pazes com ele lá de cima e não tem um dia que não conversamos, a diferença agora é que agora ele me responde.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
O MARIDO: ( PARTE 3 DE 3)
Nattan não tinha feito planos de chegar tão tarde em casa, e por mais que tenha certa habilidade pra inventar desculpas, mas hj ela vai estar em casa no minimo as 04:00h da madrugada, mas a noite foi foda, parecia q a cerveja estava doce no bar, a comida estava ótima, os amigos estavam com o humor lá em cima fazia tempo que não ria tanto e Samanta estava no auge, parecia uma fera no cio, e não lembrava de trepar tanto em uma só noite estava se sentindo o super homem e seu membro estava em riste apontando para a lua cheia no céu pulsando com um coração assustado, o seu ego era tão inchado que mau suspeitava que só estava nesse estado ainda pura e simplesmente pq sua amante tinha lhe dado na surdina um comprimidinho azul, só que agora sua cabeça estava a mil em elaborar uma boa desculpa pra dar para sua esposa, pensou em dizer que o carro quebrou, mas e o cheiro de cerveja? Ué podia muito bem que o carro tivesse pegado fogo e ele tentou apagar com cerveja que era o único liquido que tinha por perto! Talvez um sequestro relâmpago, afinal acontece isso toda hora em São Paulo, isso mesmo tivera sido sequestrado pela quadrilha das loiras e alem de roubarem suas coisas elas o “ estupraram”, eram 5 garotas ninfomaníacas sedentas por sexo, hum... talvez 3 garotas, será que colaria?
Nattan estava divagando ao volante ainda meio bêbado e cruzando a cidade em alta velocidade pra quando mais cedo chegar melhor, e olhou pelo para-brisas para o céu e disse: “Senhor me de uma boa desculpa para chegar em casa em uma horas dessas...”
Bruna saiu de casa de calça de ginastica e tênis pq se for necessário ela ima descer do salto e dar umas “bolachas” na cara da vagabunda que anda saindo com seu marido. Chegou no endereço, era um cortiço onde tinha varias casinhas pequenas e apertadas, era ali o numero 242 casa 7, com um certo desconforto no estomago e as pernas tremendo ela bateu na porta e escutou um já vaiiiii....
- Se for da igreja, eu já disse que não estou interessada! Disse Sophia, uma travesti morena de olhos verdes de quase dois metros.
Bruna meio sem graça disse que não era da igreja e que tinha um assunto em comum e se podia entrar. Já lá dentro enquanto Sophia arrumava os dois cômodos em q morava Bruna foi direto ao assunto, queria saber se ela/ele era amante de seu marido, Sophia parou de fazer oque estava fazendo e fitou de cima em baixo Bruna, foi até a geladeira e pegou duas cervejas e deu uma pra sua visita e se sentou em uma cadeira deu um gole que quase matou a cerveja e apesar de ser manhã ainda Bruna também bebeu, Sophia respirou fundo e contou quem era seu marido de verdade.
- Só vou te contar pq o pilantra me deve uma grana e faz tempo, e acho que não vou receber tão cedo, seu marido contrata meus serviços sexuais para enfiar um vibrador tamanho GG naquela bunda cabeluda...
Dai em diante Bruna não consegui mas escutar nada, sua cabeça estava girando e as palavra de Sophia não faziam mais sentido, saiu atordoada de lá e caminha meio sem rumo quando seu celular tocou e lá do hospital ligaram dizendo que Natan seu marido tinha cruzado uma avenida no sinal vermelho e bateu em um carro e capotou. Na mesma hora Bruna voltou a si e correu ao hospital. Natan ficou duas semanas internado e o medico disse que ele terá q ficar em casa durante 6 meses sob cuidados.
Em uma manhã de Abril com dia friuzinho Bruna serviu um delicioso bolo de macaxeira e deitou ao seu lado embaixo dos cobertores e feliz Bruna pensou que teria por 6 meses o seu marido só dela sem precisar dividir com ninguém.
PS.: Pronto agora acho que já posso fazer novela da globo, tão ruim quanto! kkkk
quarta-feira, 24 de abril de 2013
TRAÍDA: (PARTE 2 DE 3)
Bruna levava uma vida tranquila, dona de casa exemplar,
cozinhava divinamente, era uma ótima mãe, não tinha vícios quer dizer alem da
limpeza da casa e da novela das nove da qual seguia religiosamente e outro
defeito era ser uma assídua frequentadora da capela do bairro onde ajudava na
limpeza, organizava festas e dava aulas de catequese. A vida era boa, a casa
era própria o carro do ano e seus dois filhos iam bem no colégio, a única coisa
que a incomodava era que seu marido Nattan não a procurava mais na cama, ta
certo que ela ha tempos não se cuidava, no maxímo uma vez no mês no
cabeleireiro só pra cortar as pontas duplas e fazer as unhas, uma vez seguindo
um conselho de uma amiga foi a uma sexshop para comprar uns cremes e uma lingerie
mais ousada o que a deixou tão embaraçada que acabou comprando junto um lenço
que enrolou na cabeça pra sair da loja sem que algum conhecido a reconhecesse,
também marcou uma depilação a cera que a tal amiga disse que marido nenhum
resistiria a uma mulher “lisinha”, mas ela chegou a hesitar se valia a pena tal
tortura. Resumindo tudo seu marido até gostou da produção, mas deu uma
metidinha mal dada e virou de lado e dormiu. Bruna já sabia das escapadas do
marido, mas cansou de brigar e apesar de sua mãe e amigas falarem para largar o
traste ela estava acomodada com a situação pq fora as traições ele era um bom
marido e um bom pai comparado com os de suas amigas, mas a pior parte é entrar
na mercearia de cabeça baixa com vergonha dos comentários maldosos do tipo “ lá
vem a corna” ou coisa do tipo, mas hj depois que Nattan não dormiu em casa e
nem atendeu seus telefonemas ela vai na casa da amante dele que descobriu o
endereço graças a uma nota fiscal perdida na carteira do marido e apesar de não
ser do seu feitio ela vai lá fazer o maior barraco e dizer poucas e boas pra
tal vagabunda, só que antes tem que assistir a nova receita que Ana Maria e
Louro José vão dar de como preparar de um bolo de macaxeira um dos prediletos
de Natthan. ( continua...)
terça-feira, 23 de abril de 2013
A AMANTE: ( Parte 1 de 3)
Hj Samantha acordou sentindo um lixo, a maquiagem ainda no rosto de uma noite regada de álcool, sexo, cigarro não necessariamente nessa ordem, Nattan a levou para jantar junto com um buque de rosas que de tão vermelhas será impossível recusar, mas se tivesse escutado sua consciência teria recusado não só as rosas como o jantar e tudo oq viria a seguir.
Nattan como sempre, depois de mais uma pisada na bola de não lembrar o aniversario de “namoro” e pior sumiu por uma semana sem dar noticias e nem atender ao telefone e nem as quase 100 mensagens que mandou por SMS e nada, aquela aflição de ter acontecido algo grave misturada com a raiva de sim mesma e dele por continuar com um relacionamento sem futuro por acreditar q um dia seu amado iria deixar esposa e filhos pra ficar com ela, ele sempre falava que estava tomando coragem de pedir o divorcio, mas tinha o lance da pensão, os filhos e divisão dos bens, mas logo ele seria só seu. Essa era uma mentira que gostava de escutar, acalmava sua angustia e dava um fio de felicidade mesmo sabendo que era mentira.
Só que essa noite foi a derradeira, depois do jantar junto com alguns amigos saíram pra beber a saideira, e Nattan acabou mais do que queria e Samantha o levou pra casa e lá ela deu um copo com água e um comprimido dizendo que era pra curar a bebedeira e Nattan inocente acabou tomando um desses estimulantes sexuais que ela teria comprado em um camelo e valeu a pena cada centavo, seu parceiro parecia mais um garanhão puro sangue, fizeram todas as posições imagináveis, beberam todo o estoque que tinha em casa, transaram no banheiro, no sofá e na cama da qual foi quebrada com tantos solavancos, e hj Samantha estava até com receio de sair pra fora de casa com vergonha dos vizinhos por ter feito tanto barulho madrugada a dentro.
Hj Samantha acordou sentindo um lixo, a maquiagem ainda no rosto de uma noite regada de álcool, sexo, cigarro não necessariamente nessa ordem, Nattan a levou para jantar junto com um buque de rosas que de tão vermelhas será impossível recusar, mas se tivesse escutado sua consciência teria recusado não só as rosas como o jantar e tudo oq viria a seguir.
Nattan como sempre, depois de mais uma pisada na bola de não lembrar o aniversario de “namoro” e pior sumiu por uma semana sem dar noticias e nem atender ao telefone e nem as quase 100 mensagens que mandou por SMS e nada, aquela aflição de ter acontecido algo grave misturada com a raiva de sim mesma e dele por continuar com um relacionamento sem futuro por acreditar q um dia seu amado iria deixar esposa e filhos pra ficar com ela, ele sempre falava que estava tomando coragem de pedir o divorcio, mas tinha o lance da pensão, os filhos e divisão dos bens, mas logo ele seria só seu. Essa era uma mentira que gostava de escutar, acalmava sua angustia e dava um fio de felicidade mesmo sabendo que era mentira.
Só que essa noite foi a derradeira, depois do jantar junto com alguns amigos saíram pra beber a saideira, e Nattan acabou mais do que queria e Samantha o levou pra casa e lá ela deu um copo com água e um comprimido dizendo que era pra curar a bebedeira e Nattan inocente acabou tomando um desses estimulantes sexuais que ela teria comprado em um camelo e valeu a pena cada centavo, seu parceiro parecia mais um garanhão puro sangue, fizeram todas as posições imagináveis, beberam todo o estoque que tinha em casa, transaram no banheiro, no sofá e na cama da qual foi quebrada com tantos solavancos, e hj Samantha estava até com receio de sair pra fora de casa com vergonha dos vizinhos por ter feito tanto barulho madrugada a dentro.
Mas a vingança foi feita, ela o deixou cheio de chupões e arranhões nas costas, marca de batom na roupa e o cheiro de seu perfume por toda roupa dele e ainda por cima ficou com a sua cueca de lembrança da noite lasciva que teve. Más algo nessa manhã a incomodava, e não era suas partes intimas assada e nem a ressaca, era um sentimento de culpa de ter prejudicado alguém q se ama, de sentir vergonha da pessoa que se tornou e pior de continuar com esse maldito tesão que a deixa tão molhada que só um banho frio de banheira pra apagar esse fogo e refletir sobre a noite passada. ( continua...)
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